segunda-feira, outubro 03, 2005

Uma agência a serviço dos interesses estadunidenses...

Não é de hoje que a Agência Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), por trás do rótulo da ajuda humanitária a países em desenvolvimento, esconde sua atuação em defesa dos interesses do governo estadunidense e de suas empresas. Anuradha Mittal, coordenadora do Oakland Institute, sustenta que não apenas a Usaid, como qualquer ajuda internacional levada a cabo pelos EUA, prevê retorno financeiro ou contrapartida das nações beneficiadas."Pegue o exemplo da ajuda com alimentos: em 2002, o governo decretou abertamente que um país que quiser se candidatar a receber tal tipo de auxílio 'deve demonstrar seu potencial para se tornar um mercado comercial para os produtos agrícolas estadunidenses'. Ou seja, em vez de focar as necessidades da fome, o objetivo real da lei é a expansão de mercados para agricultura dos EUA", diz.A Usaid, por exemplo, proclama publicamente que, para cada dólar enviado ao exterior por meio de seus programas, 84 centavos de dólar voltam à economia estadunidense por meio da compra de suas mercadorias e serviços. Segundo Anuradha, em 2000, 71,6% da ajuda concedida pelos EUA estava condicionada à compra de seus produtos.A coordenadora do Oakland Institute conta também que, em novembro de 2004, a Usaid doou 700 mil dólares para a criação da Aliança para a Ação no Acordo de Livre Comércio com a América Central e a República Dominicana (Cafta-DR), cujo objetivo era organizar apoiadores do Cafta e promover seus benefícios para os trabalhadores. Posteriormente, um exame formal da doação descobriu que esse tipo de utilização de fundos de ajuda internacional violou as restrições do governo dos EUA e da própria Usaid. No Brasil, a ação da Usaid teve destaque em 1965 com os acordos MEC/Usaid, uma série de convênios entre o Ministério da Educação e a agência cujo objetivo era o de implementar o modelo estadunidense nas universidades brasileiras. Em 1966, a revolta dos estudantes fizeram os militares rever pontos do acordo.

Fonte: Igor Ojeda - Brasil de Fato