segunda-feira, outubro 03, 2005

Eles pensam que nos enganam....

A Agência Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) anunciou, no dia 14 de setembro, em conjunto com a Coca-Cola Company, o Programa Comunidade Global - Parcerias em Vertentes de Água. Segundo o comunicado, o objetivo da parceria é "apoiar uma grande variedade de programas relacionados à água em países em desenvolvimento". Ainda de acordo com o texto, tal "aliança" entre o público e o privado irá "trabalhar para alcançar inúmeras metas, entre elas o aumento do acesso ao fornecimento seguro de água, promovendo a higiene; e a proteção e conservação dos recursos locais". Só no primeiro ano, serão gastos 3,5 milhões de dólares.Tudo muito bonito, se não fossem o histórico de atuação da agência (veja matéria) e, principalmente, o parceiro escolhido pela Usaid para a empreitada. "Está muito óbvio que a Usaid escolheu se fazer de ingênua em relação à realidade das operações da Coca-Cola em países em desenvolvimento. Esse acordo nada mais é que uma tentativa de limpar a imagem de uma empresa que está sendo contestada internacionalmente por suas práticas nos negócios, deixando-a mais 'ecológica' e 'social'", opina Anuradha Mittal, coordenadora do Oakland Institute.Ela refere-se à atuação da transnacional em diversos países (entre eles, Índia, México e Panamá), principalmente quando o assunto é a água, uma de suas principais matérias-prima.O caso da Índia é particularmente emblemático. No dia 13 de setembro, um dia antes do anúncio da parceria Usaid Coca-Cola, o governo do Estado de Kerala, no sul do país, contestou na Suprema Corte da Índia o direito da empresa de usar a água de fontes subterrâneas da comunidade de Plachimada sob a alegação de que "vilarejos pobres estão sendo privados de água potável devido ao uso excessivo da fonte subterrânea pela engarrafadora da Coca-Cola".Por isso mesmo, é quase impossível acreditar nas boas intenções da parceria. "Temos que julgar à luz do histórico da empresa. É um histórico de trabalho contra o ambiente, os direitos dos trabalhadores, os sindicatos, a saúde pública. Fica difícil imaginar de que forma as comunidades vão participar dos programas da parceria", alerta Anuradha.O tratamento de um bem público por meio de uma parceria publico-privada também é fortemente criticado. De acordo com Marcus Faro, secretário-executivo da Rede Brasil, "esse tipo de acordo revela que existe uma orientação clara por parte do governo dos EUA de tratar a água como mercadoria". A coordenadora do Oakland Institute vai além: "Uma democracia de verdade convocaria um debate público para determinar a relação entre empresas privadas e agências de governo, principalmente quando ela diminui o poder deste de agir em prol do povo. Uma democracia de verdade requereria independência de nosso governo em relação à influência das corporações. Isso é uma obrigação, não uma opção política".

Fonte: Igor Ojeda Brasil de Fato

1 Comments:

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