quarta-feira, outubro 19, 2005

Pedaço de metal em Coca dá indenização de R$20.000,oo

Duas unidades mineiras da Cola-Cola terão de pagar indenização de R$ 20 mil a um garoto e à família dele, por danos morais. Tudo por causa da ingestão, em 2001, de um fio metálico, que estaria dentro de uma lata de Coca.
A decisão foi tomada na 4ª Vara Cível de Belo Horizonte, e levou em conta a ocorrência de ofensa à integridade física e psicológica da vítima. Ainda cabe recurso.
O objeto foi descoberto já dentro do garoto, depois que ele foi socorrido a um hospital após beber o refrigerante. Uma radiografia mostrou a presença de uma peça de metal. O caso poderia ter resultado até numa cirurgia, se o objeto não fosse expelido espontaneamente.
A família da criança afirmou na Justiça que houve negligência da empresa no fabrico do produto. Além disso, o fato de as distribuidoras da Coca terem bancado o tratamento, alegaram os pais, configurou uma admissão de responsabilidade por parte delas.
As empresas se defenderam alegando que seria impossível determinar a responsabilidade pela presença do objeto dentro do líquido. Uma delas afirmou ser apenas distribuidora, e a outra disse que seu processo de fabricação é impermeável a falhas desse tipo. Também disse que não havia provas da ingestão acidental do objeto metálico pelo garoto.
A Justiça não acolheu esses argumentos e decidiu que houve danos morais, sendo devida indenização aos autores da ação.

Fonte : Portal do consumifor - 19/10/2005

segunda-feira, outubro 17, 2005

Demitidos planejam ocupar fábrica da Coca-Cola

Ex-funcionários da Coca-Cola na Venezuela estariam planejando a ocupação de uma unidade da empresa naquele país, alegando que não receberam devidamente as verbas rescisórias.
Segundo um representante dos ex-funcionários, cerca de 4 mil deles devem discutir a proposta de ocupação numa assembléia no próximo dia 29. A Coca-Cola teria feito um "truque para não pagar a milhares de trabalhadores o que lhes é devido", disse o porta-voz, que é deputado no Estado de Carabobo.
A ocupação, segundo a agência oficial de notícias da Venezuela, ocorreria na capital de Carabobo, Valencia. O deputado fez um apelo para que enviados da Coca compareçam à assembléia e negociem uma solução.
Representantes da Coca-Cola não foram localizados para responder às acusações. A empresa tem quatro engarrafadoras e 34 centros de distribuição na Venezuela.
As relações entre a empresa multinacional de bebidas e o governo da Venezuela - responsável pela difusão das declarações sobre a eventual ocupação - são muito tensas.
A Guarda nacional, leal ao presidente Hugo Chávez, chegou a ocupar um centro de distribuição da Coca durante o locaute (greve patronal) do final de 2003.
A empresa também foi alvo de multas e de fechamentos temporários impostos pelo fisco venezuelano, sob a acusação de sonegar impostos.

Fonte : 17 de 0utubro de 2005, INVERTIA

segunda-feira, outubro 03, 2005

Uma agência a serviço dos interesses estadunidenses...

Não é de hoje que a Agência Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), por trás do rótulo da ajuda humanitária a países em desenvolvimento, esconde sua atuação em defesa dos interesses do governo estadunidense e de suas empresas. Anuradha Mittal, coordenadora do Oakland Institute, sustenta que não apenas a Usaid, como qualquer ajuda internacional levada a cabo pelos EUA, prevê retorno financeiro ou contrapartida das nações beneficiadas."Pegue o exemplo da ajuda com alimentos: em 2002, o governo decretou abertamente que um país que quiser se candidatar a receber tal tipo de auxílio 'deve demonstrar seu potencial para se tornar um mercado comercial para os produtos agrícolas estadunidenses'. Ou seja, em vez de focar as necessidades da fome, o objetivo real da lei é a expansão de mercados para agricultura dos EUA", diz.A Usaid, por exemplo, proclama publicamente que, para cada dólar enviado ao exterior por meio de seus programas, 84 centavos de dólar voltam à economia estadunidense por meio da compra de suas mercadorias e serviços. Segundo Anuradha, em 2000, 71,6% da ajuda concedida pelos EUA estava condicionada à compra de seus produtos.A coordenadora do Oakland Institute conta também que, em novembro de 2004, a Usaid doou 700 mil dólares para a criação da Aliança para a Ação no Acordo de Livre Comércio com a América Central e a República Dominicana (Cafta-DR), cujo objetivo era organizar apoiadores do Cafta e promover seus benefícios para os trabalhadores. Posteriormente, um exame formal da doação descobriu que esse tipo de utilização de fundos de ajuda internacional violou as restrições do governo dos EUA e da própria Usaid. No Brasil, a ação da Usaid teve destaque em 1965 com os acordos MEC/Usaid, uma série de convênios entre o Ministério da Educação e a agência cujo objetivo era o de implementar o modelo estadunidense nas universidades brasileiras. Em 1966, a revolta dos estudantes fizeram os militares rever pontos do acordo.

Fonte: Igor Ojeda - Brasil de Fato

Eles pensam que nos enganam....

A Agência Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) anunciou, no dia 14 de setembro, em conjunto com a Coca-Cola Company, o Programa Comunidade Global - Parcerias em Vertentes de Água. Segundo o comunicado, o objetivo da parceria é "apoiar uma grande variedade de programas relacionados à água em países em desenvolvimento". Ainda de acordo com o texto, tal "aliança" entre o público e o privado irá "trabalhar para alcançar inúmeras metas, entre elas o aumento do acesso ao fornecimento seguro de água, promovendo a higiene; e a proteção e conservação dos recursos locais". Só no primeiro ano, serão gastos 3,5 milhões de dólares.Tudo muito bonito, se não fossem o histórico de atuação da agência (veja matéria) e, principalmente, o parceiro escolhido pela Usaid para a empreitada. "Está muito óbvio que a Usaid escolheu se fazer de ingênua em relação à realidade das operações da Coca-Cola em países em desenvolvimento. Esse acordo nada mais é que uma tentativa de limpar a imagem de uma empresa que está sendo contestada internacionalmente por suas práticas nos negócios, deixando-a mais 'ecológica' e 'social'", opina Anuradha Mittal, coordenadora do Oakland Institute.Ela refere-se à atuação da transnacional em diversos países (entre eles, Índia, México e Panamá), principalmente quando o assunto é a água, uma de suas principais matérias-prima.O caso da Índia é particularmente emblemático. No dia 13 de setembro, um dia antes do anúncio da parceria Usaid Coca-Cola, o governo do Estado de Kerala, no sul do país, contestou na Suprema Corte da Índia o direito da empresa de usar a água de fontes subterrâneas da comunidade de Plachimada sob a alegação de que "vilarejos pobres estão sendo privados de água potável devido ao uso excessivo da fonte subterrânea pela engarrafadora da Coca-Cola".Por isso mesmo, é quase impossível acreditar nas boas intenções da parceria. "Temos que julgar à luz do histórico da empresa. É um histórico de trabalho contra o ambiente, os direitos dos trabalhadores, os sindicatos, a saúde pública. Fica difícil imaginar de que forma as comunidades vão participar dos programas da parceria", alerta Anuradha.O tratamento de um bem público por meio de uma parceria publico-privada também é fortemente criticado. De acordo com Marcus Faro, secretário-executivo da Rede Brasil, "esse tipo de acordo revela que existe uma orientação clara por parte do governo dos EUA de tratar a água como mercadoria". A coordenadora do Oakland Institute vai além: "Uma democracia de verdade convocaria um debate público para determinar a relação entre empresas privadas e agências de governo, principalmente quando ela diminui o poder deste de agir em prol do povo. Uma democracia de verdade requereria independência de nosso governo em relação à influência das corporações. Isso é uma obrigação, não uma opção política".

Fonte: Igor Ojeda Brasil de Fato