terça-feira, agosto 02, 2005

A "LIGAÇÃO"...

COCA-COLA, JOÃO PAULO, PT, DNA: APARECEU A LIGAÇÃO
Comprovado envolvimento denunciado pela Dolly desde fevereiro de 2004, com Luis Costa Pinto, lobista-assessor de João Paulo entre os sacadores: R$ 600 mil. Jack Correa também aparece no escândalo PT São Paulo - Caiu a ficha, e agora dá bem para entender por que, entre outras acusações sérias, a Coca-Cola ainda não foi investigada por elisão e sonegação fiscal bilionária. Ou porque não “anda” o exame, já aprovado há meses, do extrato vegetal usado para fabricar o refrigerante, sob forte suspeita de ser originário de folhas de coca, terminantemente proibido no país. Hoje, quem lembra, por exemplo, do ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, vociferando e ameaçando cassar o Deputado Renato Cozzolino, porque este foi um dos que ousaram enfrentar a gigante multinacional, pode apenas juntar as peças. Vai entender como pode um presidente de uma multinacional dizer, como fez Brian Smith, em audiência pública, que não sabe o que contém o produto consumido por milhões de brasileiros, mas jamais analisado, e nada acontecer.Em fevereiro de 2004 a Dolly, que há dois anos acusa a Coca-Cola de concorrência desleal, abuso do poder econômico e que a processa em todas as instâncias administrativas e judiciais, convocou a imprensa, inclusive internacional, que deu amplo destaque ao assunto. Entregou documentos, levou as denúncias à Polícia Federal, à Procuradoria Geral da República, à Secretaria de Direito Econômico, SDE, etc. Documentos e contratos que já comprovavam a espúria operação de abafa sendo realizada dentro do Congresso Nacional e no Governo. Mostrava que quem capitaneava a operação era Jack Correa, na ativa, o lobista-mor da Coca-Cola em Brasilia. Ele, que já tinha sido peça-chave na corrupção do Governo Collor (antes, era da Fiat, e foi quem deu o carro Elba que ajudou a comprovar e levar Fernando Collor ao impeachment), desta vez atuava junto ao PT e junto ao Governo Federal. E de forma pesada e financeiramente estruturada, sabe-se agora, via DNA de Marcos Valério.

DE ONDE VEM TANTO DINHEIRO? TRÁFICO DE INFLUÊNCIA?

Está tudo ainda mais claro. A CPMI dos Correios está desvendando o caso, e se for a fundo deve envolver muitos outros parlamentares e o que é melhor, responder à pergunta que todos se fazem: De onde vem tanto dinheiro? Vem das empresas privadas operando tráfico de influência, o que faziam há anos por intermédio da DNA e outras empresas de Marcos Valério. Na malha da CPMI, agora caiu João Paulo Cunha e caiu o jornalista Luis Costa Pinto, assessor do então poderoso João Paulo no Congresso e que, ao mesmo tempo, era contratado como lobista pela Coca-Cola para defender “seus interesses” junto aos parlamentares. Agora a CPMI está revelando saques feitos por Luis Costa Pinto (Idéias, Fatos e Texto, IFT) da ordem de quase 600 mil reais (um de 272 mil; outro, de 284 mil reais). Sem contar o mimo de R$ 50 mil recebido pela esposa do ex-presidente da Câmara, Marcia Regina Milanesi Cunha, coincidentemente, também jornalista. Pagamento? Para quem? Por que? Para quais deputados votarem a favor ou contra? É hora de investigar a fundo e levar o caso a limpo.

EX-SECRETÁRIA DE JACK CORREA CONTA COMO ERA A OPERAÇÃO

Adriana Antunes, ex-secretária de Jack Correa, com quem trabalhou de abril de 1999 a abril de 2003, não se surpreende, mas acha que faltam aparecer ainda muitos nomes. “Quase que semanalmente havia repasse da Coca-Cola para a DNA. Não tinha sentido por vários motivos: primeiro porque não era a agência de propaganda da companhia. Segundo: por que uma agência de Minas Gerais receberia de Brasília?”, afirma Adriana, que vem sendo ameaçada desde que saiu da empresa e precisou vir a público para garantir sua própria segurança.Adriana tem boa memória: “O repasse para a DNA era feito via transferência bancária pelo Banco Itaú. Jack Correa operava diretamente com Marcio Hiram (ex-sócio de Marcos Valério e também envolvido). Os pagamentos eram todos “fora de padrão”, e só constava como serviços prestados. Eram constantes os contatos de Jack Correa com Delúbio Soares e Silvio Pereira. Lembro bem porque que esse Delúbio é um mal educado e grosso e eu odiava ter que ligar para ele”, conta, em detalhes, até como o tom de voz usual do ex-tesoureiro. Há ainda, entre outros, dois novos detalhes e nomes no depoimento de Adriana Antunes que hoje podem soar como bomba, e interessantes para as atuais investigações. O primeiro é de que também eram comuns até 2003, enquanto ela esteve lá, contatos da Coca-Cola e seus lobistas com Clara Ant, à época também tesoureira do PT e hoje secretária particular do presidente Luis Inácio Lula da Silva.O segundo detalhe é a presença constante de Fernando Godoy no “Palácio Coca-Cola”, de Brasília, mansão sede do lobby. O mesmo Fernando Leite de Godoy da diretoria dos Correios, envolvido nos escândalos e na mira da CPI, onde inclusive já depôs – acusado por corrupção e fraude. “Ele sempre estava lá na porta do escritório, às vezes até antes do horário do expediente, esperando pelo Jack Correa” ,recorda Adriana.

MARLI GONÇALVES - MTB 12.037 ASSESSORIA DE IMPRENSA DOLLY REFRIGERANTES TEL. 11.9187-1999
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