sexta-feira, abril 29, 2005

Confundir Para Não Ter Que Justificar

No New York Post, Holly Sanders desafia: "Responda rápido: Que diferença há entre a Diet Coke, Diet Coke com splenda, Coca-Cola Zero e Coke C2? Se você não sabe a resposta, você não está sozinho".
O consumidor norte-americano está confuso e saturado com a Coca-Cola. Na compulsão pela produção desordenada de novas opções, a Coca-Cola empurra o consumidor para a sua concorrente #1, além de criar na cabeça de seus consumidores associações com doenças irreversíveis, segundo alguns analistas do mercado.

Coca Zero

Com previsão de lançamento para o início de junho, a Coca Zero chega embalada por campanhas de milhões de dólares, abrangência de todas as pontas da mídia e a promessa da diretora de marketing Christine Holland de muita criatividade nas promoções. Mas por enquanto, a cotação do produto no e-Bay anda baixíssima e na sexta-feira última, o maior lance parou em 98 centavos de dólar o pacote completo de latinhas.

Aqui no Brasil, endocrinologistas, contra e a favor da bebida, estão celebrando. O nome caiu como uma luva para os que vão fazer apologia da novidade, tanto quanto para os que vão proibir seus pacientes de bebê-la.

Chovendo Sabores

Enquanto não acha solução para as dezenas de problemas de gerenciamento que assolam a companhia mundo afora, a Coca-Cola ganha tempo e perde dinheiro tentando usar "novidades" para distrair o mercado: Lança campanhas mal-planejadas, apoios de responsabilidade social de curto prazo, patrocínios de evenos no estilo "segura-imagem" além de jogar no mercado bebidas com novos sabores que já chegam com prazo de validade comprometido. Confira os novos sabores: 1, 2, 3.

Pepsi #1

No primeiro round da batalha de comerciais entre a #1 e a #2 dos refrigerantes, que começa logo nos primeiros meses de todo o ano na Índia, a Pepsi foi a grande vencedora de 2005. Segundo a Indicus Analytics, que fez a pesquisa, a Pepsi subiu 3 estágios neste último trimestre.

Patrocinar para Monitorar

Segundo a Asian Health Watch, ONG que que pesquisa a saúde da população na Ásia, 42% dos congressos, seminários e workshops sobre o asunto saúde e bem-estar, que acontecem na região este ano, contam com o patrocínio da Coca-Cola. Autoridades da área acompanham de perto o interesse da gigante dos refrigerantes.

quinta-feira, abril 28, 2005

Real Betis Contra A Coca

O departamento jurídico do time espanhol Real Betis está pensando em entrar com um processo contra a Coca-Cola. Após ingerir a bebida Seven Up, o presidente do time passou mal com sintomas de embriaguês. Segundo o presidente Manuel Ruiz e testemunhas, esta foi a a única bebida que ele havia ingerido antes de passar mal. Leia a notícia aqui.

sábado, abril 23, 2005

Erro de marketing???


Roberto Goizueta e Donald R. Keough - CEO e Presidente da Coca-Cola comemorando

Fazem hoje, 23 de abril, exatos 20 anos que Roberto Goizueta e Don Keough reuniram a imprensa mundial, no Lincoln Center em Nova York, para anunciar aquele que seria considerado posteriormente " o erro crasso de marketing do século ". A tentativa frustrada de mudar o sabor da coca-cola, baseada em pesquisas que não levaram em conta fatores como personalidade dos consumidores ou hábitos de consumo.
A eliminação do "travo" do sabor da velha coca, substituido por um sabor mais suave e doce, próximo da Pepsi, na realidade escondia intenções muito mais obscuras do que aquelas que até hoje são estudadas nas universidades e pelos acadêmicos do marketing, como um simples erro estratégico.
Após 20 anos de perda de participação de mercado para outras colas, Goizueta achava que o produto precisava "mudar". Convencera Woodruff no ano-novo de 1985, este completamente desolado teria concordado finalmente com a mudança, mas amargurado morreu dois meses depois em 7 de março daquele ano. Quarenta e seis dias depois Keough e Goizueta lançaram a New Coke.
Nestas duas décadas, esse lançamento e seu fracasso estrondoso tem sido repetidamente motivo de estudos, teorias e conclusões diversas por estudantes de marketing e seus professores. Os desdobramentos de mercado e a reação dos consumidores a este lançamento foram tão variados
que não é de se estranhar tamanho interesse pelo assunto.
O curioso nisso tudo é que durante este tempo muito pouca gente atentou para algo extremamente importante nas motivações da coca-cola para a mudança de sabor. Algo que só agora, 20 anos depois começa a ser questionado, investigado e divulgado. Algo que Roberto Goizueta, certamente um visionário, já previra naquela época. Os problemas que a sua coca-cola enfrentaria para manter em sua formulação ingredientes derivados da folha de coca.
No livro Por Deus, pela pátria e pela Coca-cola de Mark Pendergrast encontramos na pagina 321 o seguinte paragrafo transcrito abaixo:

"Afora essas considerações, a companhia nunca reconheceu oficialmente outra motivação fundamental para substituir a velha fórmula. A nova Coke não conteria folha descocainizada de coca, e os boatos jamais eliminados sobre o suposto conteúdo da droga na bebida poderiam ser finalmente reprimidos. Além do mais, a determinação anunciada por Reagan de erradicar as plantações de coca da América do Sul tornara nervosos os funcionarios da companhia, mesmo que seu suprimento viesse de campos de propriedade do governo peruano."

Interessante dizer também que essa preocupação de Goizueta com o uso da folha de coca, fizera com que ele, quando ainda chefe da Divisão Técnica da coca-cola, encorajara o Dr. Andrew Weil a comercializar um chiclete medicinal a base de coca, porque uma coca legitimada "tiraria a pressão de cima da Cocacola" como dito pelo próprio Weil.
Mesmo com o retorno da velha fomula, ironicamente Roberto Goizueta manteve até o final de seus dias uma geladeira em seu escritório abastecida com a sua "New Coke".
Parece mesmo que ele adivinhava o futuro...

sexta-feira, abril 22, 2005

As Mais Poluidoras

Hoje, Dia da Terra, o DENR - Departamento do Meio Ambiente e Recursos Naturais - nas Filipinas, divulgou a lista das 43 empresas maiores poluidoras do meio ambiente no país. O critério baseou-se nos padrões de efluxo de demanda de oxigênio biológico (DOB) e no total de sólidos suspensos (TSSs). Foi também levado em conta o padrão de emissão de partículas específicas. Para a classificação, foi utilizada uma escala de cores, sendo a tarja negra para as que constam do topo do ranking seguidas pelas companhias de tarja vermelha.

Em ordem decrescente as companhias mais poluidoras:

COM TARJA NEGRA
. Sunrise Paper Industries in Orani, Bataan
• Transnational Paper Corp. in Tanza, Cavite
• Central Azucarera de la Carlota in La Carlota City,
• Negros Occidental; Passi Sugar Co. in Passi City, Iloilo
• Robina Farms in Antipolo City, Rizal

COM TARJA VERMELHA
• Coca-Cola Bottlers Phils. in Ilagan, Isabela, and Naga City
• Cosmos Bottling Corp. in Cauayan, Isabela, and Davao City
• Pepsi-Cola plants in Naga, Bacolod and Davao cities
• San Miguel-Polo Brewery in Valenzuela City.
• Northern Cement in Sison, Pangasinan
• Picop Resources in Bislig, Surigao del Sur
• Central Azucarera de Tarlac in Tarlac
• Batangas Sugar Central in Balayan, Batangas
• Passi Sugar Co., in San Enrique, Iloilo
• Durano III and Sons Sugar Mill in Danao City
• Universal Robina Sugar Milling in Manjuyod, Negros Occi

Stella Braaten
Diplomacy & Business Newsletter 22/04/2005

domingo, abril 17, 2005

Fábrica Da Pepsi Em Gaza

Boicotar Coca-Cola, pichar McDonald's, falar em nome dos palestinos, mas eles querem mesmo é tomar Pepsi...

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As fotos nesta postagem são oficiais e timbradas do arquivo fotográfico Getty Images, um dos maiores do mundo. Foram tiradas em um local desconhecido na Faixa de Gaza e mostram a falsificação artezanal da Pepsi-Cola por palestinos, inclusive empregando mão de obra infantil. Imagine se isso fosse no Brasil? Ficariam todos horrozados! As crianças seriam retiradas de lá por estarem sendo exploradas. Os pais e irmãos mais velhos não estão nem aí para a falsificação e exploração infantil desde que garantam o dindim. Imagine tomar esse refrigerante feito na bacia...

quarta-feira, abril 13, 2005

É justo? Ou é imoral?

" O ex-presidente mundial da Coca-Cola Douglas Ivester já vivia um inferno astral quando uma notícia na maior revista semanal brasileira detonou uma crise de proporções mundiais. Numa entrevista publicada em outubro de 1999 nas Páginas Amarelas de Veja , Invester admitiu que a Coca-Cola testava uma máquina de vender latas de refrigerantes capaz de alterar os preços de acordo com a temperatura ambiente. "Essa é uma situação clássica de oferta e procura", afirmou o executivo americano ao jornalista Eurípedes Alcântara, então redator-chefe de Veja . "A Coca-Cola é um produto cuja utilidade varia de momento para momento. Numa final de campeonato, no verão, quando as pessoas estão reunidas num estádio se divertindo, a utilidade de uma Coca gelada é alta. Por isso é justo que ela custe mais caro".

Trecho de artigo publicado esta semana na revista Exame

terça-feira, abril 12, 2005

Tudo Pela mercadoria #5

O mais recente relatório da AFL-CIO Executive Paywatch ressalta o valor excessivo dos pacotes de pagamento dos Chief Executive Officers das grandes corporações. O privilégio está interferindo sensivelmente no custo da tão suada aposentadoria dos outros funcionários. O destaque é para diferença no aumento anual de um funcionário de carreira em ascensão - de 3,6%; para o de um CEO, que já chegou no topo da mesma - de 12%. Segure seu queixo, clique aqui e constate o acinte.

sexta-feira, abril 08, 2005

INOVAÇÃO POLÊMICA

Analistas do mercado, consumidores e Organizações Não Governamentais ligadas à alimentação e saúde questionam lançamento de produtos com componentes ativadores e bloqueadores dos receptores contidos na boca, responsáveis pelo paladar.

A Nestlé, a Coca-Cola, a Campbell Soup e a Kraft Food, entre outras, contrataram a companhia de biotecnologia Senomyx para desenvolver aditivo alimentar que atue diretamente nos receptores da boca responsáveis pelo gosto. Modificando a sensação em relação aos alimentos, as indústrias conseguiriam cumprir melhor a demanda para a alimentação mais saudável, já que, induzindo os receptores a não sentirem falta do açúcar e do sal, por exemplo, passariam a reduzir quase que a zero a inclusão desses ingredientes tão perseguidos na atualidade e focar toda a atenção na fonte das sensações. Este lançamento revolucionário figuraria no rótulo dos produtos como “sabores artificiais” e não como “regulador do paladar” como deveria constar. O porta-voz da Senomyx, anuncia a ação como uma limpeza do rótulo, mas alguns críticos reconhecem essa atitude como geradora de filhotes do rótulo da Coca-Cola, referindo-se ao tratamento que a Coca-Cola dispensa à mercadoria #5.

Instituições ligadas à saúde se preocupam com a ausência de testes suficientes para garantir a segurança do consumidor quanto a modificação dos antigos produtos, mas a pressa pelo lucro não permite esperar esta garantia. A novidade está prevista para estar disponível nas prateleiras dos supermercados a partir da primeira metade do próximo ano. Executivos da Coca-Cola enxergam a inovação como uma possibilidade de carona para a aceitação definitiva da composição original do xarope da bebida mais famosa da marca.

Por S. Braaten
Fonte: Estrela do Norte; Coluna do Consumidor; 08/04/2005

quinta-feira, abril 07, 2005

O acordo está valendo?

Em maio de 1999, o Dept. de Justiça americano abriu processo contra os laboratórios Basf e Roche por manipulação de preços de vitaminas no mercado americano, com multa estipulada em U$ 725.000.000,00.
Autoridades brasileiras, suspeitando que o mesmo estivesse acontecendo no Brasil, solicitou ajuda aos seus pares americanos, os orgãos de defesa da livre concorrência.
Funcionários foram a Washington com dois objetivos: conhecer o caso dos laboratorios em detalhes e aprimorar o modo de investigação de cartéis para aplicação no mercado brasileiro.
O resultado da missão teve como consequência a assinatura de um acordo entre o Brasil e os USA, assinado na época pelo então Ministro da Justiça, Sr. José Carlos Dias e pela Procuradora Geral dos Estados Unidos, Sra. Janet Reno.
No seu artigo II, o referido acordo reza que cada parte deverá notificar a outra em caso de investigação, denúncia ou procedimentos no amparo de suas leis de concorrência.
A Cocacola esta em investigação por diversos orgãos do governo brasileiro e abaixo de pesadas denúncias de concorrência desleal e abuso de poder econômico.
A questão é: O governo brasileiro cumpriu o acordo e notificou os americanos sobre esses fatos?
Eu duvido e digo porque.
Qual seria a reação da The CocaCola Company, ao saber que por causa das praticas de sua subsidiaria brasileira(CCIL) passaria a ser investigada pelas autoridades americanas?
Certamente acabaria com essas praticas e resolveria a questão, fazendo o que o governo brasileiro não consegue ou não quer fazer....

As informações sobre o acordo foram obtidas com João Batista Vinhosa que mantem uma luta intensa contra o cartel do Oxigênio, comandado pela White Martins e, que segundo as denúncias , sangra os Hospitais Públicos Brasileiros com preços abusivos, superfaturamento e licitações fraudulentas. Por uma estranha "coincidência" o lobista contratado pela WM é o Alexandre Paes dos Santos, ou simplesmente APS, o mesmo lobista contratado pela Cocacola np caso da Dolly.
Os interessados em maiores informações sobre esse caso podem acessar o site www.assaltoaohce.com

segunda-feira, abril 04, 2005

Quem está financiando?

FORUM INTERNACIONAL DA FOLHA DE COCA
Lima – Peru – abril de 2005


El Foro reunirá académicos, representantes de los países consumidores, empresarios, productores y curanderos tradicionales con el objetivo de promover un amplio intercambio de información sobre los aspectos médicos, ambientales, culturales, industriales y sagrados del uso de la Hoja de Coca contribuyendo de esta manera al desarrollo de políticas sanas y realistas en la región andina. El Foro internacional se llevará a cabo en la histórica Universidad Nacional Mayor de San Marcos, Lima, Perú, del 4 al 8 de Abril del 2005 y entre sus objetivos tiene:
* Sensibilizar a la opinión pública e instituciones hacia los usos tradicionales, médicos y alimenticios de la Hoja de Coca.
* Generar información desde los propios actores para dar a conocer sus investigaciones y propuestas y evitar la distorsión que se viene dando que afecta la dignidad de agricultores y consumidores tradicionales de la Hoja de Coca.
* Dar a conocer las investigaciones en medicina, nutrición, biología, ciencias sociales, y otros campos relacionadas al cultivo y tradición de la Hoja de Coca.
* Fomentar el uso de la Hoja de Coca.
* Fomentar la industrialización y comercialización de la Hoja de Coca. Con la presente comunicación queremos ponerlos al tanto de esta actividad y al mismo tiempo invocar su colaboración para la difusión de la misma que nos ayude a lograr aportes económicos voluntarios o cualquier recurso que nos ayude al logro de este evento. Cualquier contribución, por más pequeña que sea, es bienvenida.
Para mayor información del evento, sírvanse visitar: http://www.comunidadtawantinsuyu.org/coca Les agradeceremos visitar las siguientes páginas web para tener una idea más clara acerca de nuestra Hoja de Coca.
http://www.akhulli.com
http://www.cocamuseum.com
http://www.mamacoca.org
http://www.kuychiwasi.org
http://www.lamolina.edu.pe/investigacion/cocachasqui/ http://qollasuyu.indymedia.org/en/2004/05/783.shtml http://www.ecoportal.net/content/view/full/31751
http://www.cocasoberania.org

Nunca é demais acrescentar que a utilização da folha de coca, ou de seus alcalóides e preparações é proibida no Brasil pela Lei de entorpecentes em vigor. Segundo laudo do Dr. Otávio Brasil, o mais renomado toxicologista brasileiro, todos os alcaloides derivados da folha de coca são entorpecentes, causam dependência e fazem mal a saúde.

sábado, abril 02, 2005

E AS MARCAS made in usa, PRA ONDE VÃO?

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Com origem na diplomacia de unilateralismo da administração Bush, os Estados Unidos têm enfrentado retração sem precedentes devido ao anti-americanismo, gerado desde o início da invasão ao Iraque, por tropas da coalizão lideradas pelos norte-americanos.

Durante o Fórum Econômico Mundial anual em Davos, uma das grandes discussões girou em torno da questão sobre a influência dos boicotes e da rejeição atual às marcas norte-americanas, com direito inclusive a mini-forum especial.

Em uma pesquisa feita pela Edelman Consultoria, onde opiniões de 1 500 líderes do mundo inteiro foram avaliadas, a conclusão foi que a distância entre confiança na política de gerenciamento dessas empresas e a necessidade de consumo do cidadão é grande: As empresas norte-americanas que não apresentam dificuldades próprias e nem problemas específicos de administração, vão muito bem, obrigada. Mesmo nos países onde o anti-americanismo é forte. E os exemplos estão aí para confirmar: Por que será que as pessoas que participam de manifestações pelo boicote aos produtos norte-americanos como os hamburgers do Mac Donalds não apagam os programas da Microsoft de seus computadores? Por que consumidores coreanos, mesmo sob ameaça de intervenção dos Estados Unidos, não modificaram em nada o seu comportamento em relação ao cartão VISA? A verdade é que a velha lei da reciprocidade é um dos, senão o maior, pilar da economia de mercado. As empresas norte-americanas que estão “entregando” ao consumidor o antigo American way of life da forma que o cliente se condicionou a concebê-lo - como conseqüência dos reforços marquetológicos de muitas décadas - embutido no produto que estão vendendo, continuam conquistando fidelidade. As que se descuidaram , perderam. Os Estados Unidos mudaram, mas o consumidor global mantém as mesmas necessidades básicas na sua relação de aquisição. Antes de protestar contra a guerra, a exploração , a corrupção, ele vai checar o preço e a qualidade do produto. Nisso, qualquer consumidor é igual. Mas se o produto tiver um valor agregado, bem ao American style; de flexibilidade, diversificação, customização e/ou múltipla utilidade; aí sim, vale se pagar mais por ele. De outra forma, o avanço tecnológico permite a fabricação local de produtos de qualidade em qualquer parte do mundo, evitando a cobrança dos royalties e com isso, barateando bastante a mercadoria.

Valores como liberdade, progresso, inovação, bem-estar, ousadia e entretenimento são proclamados por mais de século por empresas, que por conta da busca ao lucro pelo lucro, espalharam devastação ao meio-ambiente e desagregação sócio-econômica em muitos países em desenvolvimento. Conseqüentemente, o paradoxo entre o que se prega e o que se faz não encontra mais receptividade em nenhuma parte do mundo. O marketing maquiagem saturou. Hoje, com a rapidez da informação, a ligação entre o discurso e as ações de uma empresa, por mais que existam mecanismos de blindagem, mais cedo ou mais tarde vai se cumprir transparente.

Já faz tempo que o cidadão global passou a associar poluição e degradação ao progresso, a exploração do trabalhador e do meio-ambiente à conquista futura da prosperidade de poucos. Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social são questões por demais recentes nas políticas empresariais, e depois da longa vivência espremida entre o marketing e as pressões trabalhistas, não vai ser de um dia para o outro que o consumidor vai incorporá-las como base nas intenções reais das empresas transnacionais. Tanto que o conceito de consumo ético já é realidade bastante difundida pelo planeta, principalmente nos mercados da União Européia.

Um dos exemplos em evidência que já se tornou clássico é o da Coca-Cola, que evoluiu nas bases do sonho americano, carregando na publicidade o prazer, o bem-estar e a liberdade, inclusive levando para longe demais a distância entre seu discurso e suas ações. Acrescentando a isso tudo, a utilização ‘ipsis litteris’ da conduta por ora bushiana de unilateralismo e intervencionismo, que dispensou o acompanhamento necessário às tendências de mercado, prejudicando enormemente a relação entre a empresa e os consumidores de seus produtos. A confiança excessiva na força da marca criou falhas exageradas de gerenciamento, ao ponto do seu atual CEO, ao assumir o posto no ano passado, ter que admitir publicamente o estado de vulnerabilidade e de desgerenciamento em que se encontra mundialmente a companhia.

O anúncio do lançamento da Coke Zero para junho próximo, com uma aura de renascimento da marca, não parece ter gerado força suficiente para ofuscar o sucesso da decadência da anteriormente inatingível Coca-Cola marca reg. entre suas inúmeras concorrentes. Está aí a PepsiCo. para provar isso; num momento em que absolutamente todas as marcas de refrigerantes se preocupam em apostar em produtos low calorie, a ordem do dia para além do estardalhaço das campanhas de lançamentos, é o low profile. Principalmente porque o escrutínio é ação constante nos adoçantes de seus xaropes. Numa hora dessas, a diversificação do portfolio é importante para distribuir melhor as atenções entre o refrigerante diet e os demais produtos da marca, garantindo a receita..

Imprimir a imagem de renascimento à Coca-Cola em uma fase de questionamento de sua conduta nos 5 continentes do planeta, em questões que vão de crimes quanto ao meio-ambiente a crimes contra os direitos humanos, é insistir no erro do marketing maquiagem, pulando a parte principal, que é mostrar ao consumidor a resolução dos problemas existentes. Fato que se encontra na fila de espera entre as expectativas do público-alvo.Que tipo de berço espera a Coke Zero em meio a tanta dívida com o consumidor? Enquanto isso, a PepsiCo, com seu portfolio diversificado com snacks e chips, lança a Pepsi One e ganha cada vez mais espaço na fatia do mercado que até pouco tempo parecia imperdível para a Coca-Cola.

Mc Donalds, Nike, Disney e tantas outras transnacionais envolvidas com denúncias e processos legais pelo mundo afora, se esforçam com estratégias locais para readquirir a credibilidade do mercado global. O objetivo é manter identificação com a marca. Contudo, para muitas nações, o atual sonho americano se tornou o maior pesadelo das relações internacionais e isso impulsiona a busca para produtos dissociados dessa imagem negativa, transgredindo a fidelidade à marca.

No fluxo da inteligência mercadológica, além de encurtar a distância entre a imagem propagada e as ações efetuadas, o desafio de muitas empresas, não somente as norte-americanas, é depositar o lixo acumulado de seus percursos, dando a entender para o consumidor que o mesmo será reciclado e com isso provar o sucesso de sua história.

Desta alçada, a Halliburton já provou que entende um pouco: seu gasto com a mídia é o essencial e seu público-alvo é abordado por meios diretos. Opostamente à Coca-Cola, a maioria da população do planeta nunca ouviu falar em Halliburton. À essa maioria, satisfações se apresentam 'inconscientemente dispensáveis'. Mas aí diriam os concorrentes: “- Ah, mas a Halliburton pode.”


Por Stella Braaten
Fonte: Diplomacy&Business Newsletter_Port_03/01/2005_br