sábado, fevereiro 19, 2005

Vinho Mariani, o "Avô da Coca-Cola"...

Pemberton leu sobre a folha de coca em fins dos anos 70( século XIX), anos antes de inventar a Coca-Cola. A descoberta dos "efeitos maravilhosos" da folha espalhava-se pelo mundo nesta época. Em 1884 Sigmund Freud experimentou pela primeira vez a cocaína, como antídoto para as suas crises de depressão e letargia, publicando inclusive escritos sobre a coca(Über Coca), "uma substância mágica" conforme disse em carta a sua noiva.
Outro médico, Carl Koller, descobriu a cocaína como anestésico em cirurgias oculares, o que chamou a atenção de Pemberton, ele mesmo que sofrera dolorosas operações oculares sem anestesia.
Na primeira metade da década de 80(século XIX), a "mania pela coca"invadiu o mercado da época com comprimidos, unguentos, sprays, injeções, vinhos, bebidas, refrigerantes, cigarros e charutos, tudo a base de coca. Neste cenário Pemberton lançou em 1884 o seu French Wine Coca, uma imitação do Vin Mariani de 1863, que já continha uma infusão da folha de coca.
Tempos depois Pemberton modificaria seu vinho em função da Coca-Cola.
O Vinho Mariani foi na verdade o "Avô da Coca-Cola". Continha 0,12 grãos ou 64.8 mg de cocaína por onça. Tres copos diários ou 18 onças continham 2.16 grão de cocaína por dia, o suficiente para uma pessoa se sentir "maravilhosamente bem".
Era um estrondoso sucesso não só na europa como nos Estados Unidos e, obviamente foi seguido por dezenas de imitadores, entre eles os que misturavam cocaína pura com vinho ordinário, de gosto amargo mas com maior efeito.
O vinho de Pemberton, predecessor da Coca-Cola, era uma dessas imitações, ainda que considerado de qualidade superior.

Fonte:Informações e transcrições retiradas do livro Por Deus, pela pátria e pela Coca-Cola, de Mark Pendergrast, edição de 1993, "misteriosamente desaparecido" das livrarias brasileiras.