sexta-feira, fevereiro 25, 2005

A " Sexta-feira negra"...

Até o outono de 1957, agitação social era coisa impensável no prédio da Cocacola. Empregados leais saboreavam almoços a U$ 0,35 e tomavam qunta Cocacola pudessem dar conta de graça.
Os salários não eram os melhores da cidade, mas o emprego na companhia significava prestígio e segurança. Era o que todos pensavam até o dia 8 de novembro daquele ano, uma sexta-feira.
No ano anterior, Woodruff havia trazido Curt Gager, conhecido "carrasco" da General Foods, para ocupar o posto de numero dois na empresa. Diziam que ele havia sido o executor dos trabalhos sujos na GF.
Na manhã daquele dia, um terço dos empregados( não se sabe o numero exato, pois a companhia não se manifesta sobre o assunto) que se apresentaram para trabalhar as 9 da manhã, foi sumariamente demitido, indenizado, mandado limpar a mesa e retirar-se do prédio até as 9 e 30.
A sexta-feira negra, como o dia foi logo batizado, foi um choque inesperado para todos, não havia lógica nas demissões. Segundo Charles Botton, "tinhamos aqui pessoas que não valiam merda e ficaram" e outras que faziam "um trabalho fantástico" e foram postas no olho da rua.
O fato despedaçou vidas. Um dos demitidos cometeu suicidio no vizinho Lake Spivey, e ao fim do dia, uma mulher do departamento pessoal, cheia de culpa, deu um tiro na cabeça.
Segundo Botton, " a perda de prestígio por deixar a companhia era tão grande que elas ficariam mesmo que fosse para fazer faxina nos banheiros".
Não há vestígios da sexta-feira negra nos arquivos da companhia e nenhum jornal de Atlanta publicou notícia sobre as demissões ou sobre os suicídios. Naquela ocasião, lembra-se um funcionario, a Cocacola podia manter qualquer coisa fora da imprensa( só naquela época?)". "Woodruff podia andar nu no telhado, sob refletores, que nada sairia nos jornais".
Meses depois, Curt Gager, "o carrasco" foi demitido. Ele havia feito o trabalho sujo para Woodruff, sacudindo a companhia presa a tradição.

Este episódio parece ter inaugurado uma nova tradição na companhia, que de tempos em tempos, e sob as mais variadas desculpas, promove um desses hoje chamados "trens", "bondes", "barcas" ou " aviões".

Informações obtidas no livro Por Deus, pela pátria e pela Cocacola de Mark Pendergrast, edição de 1993, o mais completo livro documental da história da companhia, já editado.