domingo, fevereiro 27, 2005

Quando a Folha de São Paulo falava sobre o assunto...

Folha de São Paulohttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2503200108.htmSomente para assinantes do UOL25 de março de 2001
DROGAS
País que financia destruição de plantações comprou 99,9% da coca vendida em 1999; demanda da Coca-Cola explica números. EUA são o maior comprador legal de coca
ROGERIO WASSERMANN DA REDAÇÃO
Os EUA, que financiam com centenas de milhões de dólares o combate às plantações de coca nos países andinos, são os maiores importadores legais do produto. Segundo dados da ONU, o país importou, em 1999, 110 mil toneladas de folhas de coca, ou 99,9% de todo o produto legalmente comercializado no mercado internacional.A razão desses números é a demanda para a fabricação de um dos mais conhecidos produtos norte-americanos, a Coca-Cola, vendida em mais de 200 países, que tem em sua fórmula um extrato "descocainizado" de folhas de coca. Ou seja, o refrigerante não tem cocaína, que é retirada por meio de processos químicos.As folhas de coca são importadas da Bolívia e do Peru -no ano passado, só o Peru vendeu coca aos EUA- pela empresa Stepan Company, com sede em Maywood, Nova Jersey, que tem autorização legal da DEA (o departamento de controle de drogas norte-americano) para comprar as folhas e produzir o extrato alimentício vendido à Coca-Cola. A mesma empresa, originalmente chamada Schaefer Alkaloid Works, depois Maywood Chemical Works, produz o aromatizante para a Coca-Cola desde 1903.No processo de extração do alcalóide das folhas, a empresa produz também algumas dezenas de quilos de cocaína. Parte disso é destruída. Outra parte é utilizada em pesquisas médicas ou como anestésico em cirurgias.Oficialmente, tanto a Coca-Cola quanto a Stepan Company se recusam a comentar o assunto."A fórmula da Coca-Cola é um segredo muito bem guardado, sobre o qual a empresa não faz comentários", disse à Folha um porta-voz da empresa.O mesmo ocorre na Stepan Company. "A empresa tem uma política de não comentar esse assunto", afirmou John O"Brien, gerente da fábrica de Nova Jersey.A Folha tentou ouvir também a DEA sobre o assunto, mas, após mais de dois meses de tentativas, com diversos contatos com o setor de Relações Públicas do órgão em Washington, com o representante do órgão no Brasil, Patrick Healy, e com o adido de imprensa da Embaixada dos EUA no Brasil, Terry Davidson, o órgão se limitou a enviar, na semana passada, um e-mail com apenas algumas das informações solicitadas.A Folha pediu informações sobre a empresa (ou as empresas) autorizadas a importar coca e sobre o tipo de utilização do produto nos EUA, mas a DEA informou que são "dados particulares que não podem ser divulgados".Segundo o órgão, a destinação primordial da importação de coca é comercial. "Há um uso muito limitado de folhas de coca para aplicações de pesquisa", relatou o órgão em e-mail enviado à Folha. A reportagem também pediu uma entrevista à DEA, mas não obtivera resposta até anteontem.Fórmula divulgada"Certamente é a demanda da Coca-Cola que explica a grande quantidade de folhas de coca importada anualmente pelos EUA", disse à Folha Mark Pendergrast, autor do livro "Por Deus, pela Pátria e pela Coca-Cola - A História Não-Autorizada do Maior dos Refrigerantes e da Companhia que o Produz", de 1993, no qual ele divulgou uma suposta fórmula do refrigerante."Que eu saiba, a Coca-Cola é a única empresa a utilizar esse extrato de coca na fabricação de seu produto", disse. Pendergrast afirmou ter encontrado as informações sobre a fórmula do produto em documentos achados nos arquivos da própria companhia.Apesar de todo o mistério e proteção, a importação de folhas de coca e a fabricação do extrato aromatizante seguem regras legais e são fortemente controladas pela DEA e pela Jife (Junta Internacional Fiscalizadora de Entorpecentes), órgão ligado à ONU responsável pela aplicação da legislação internacional sobre drogas.A Convenção das Nações Unidas sobre Narcóticos, de 1961, permite o cultivo controlado da coca nos países em que ela já era tradicionalmente cultivada -Bolívia e Peru-, mas condena seu consumo tradicional -mascada ou em forma de infusão- pelas populações indígenas.Em seu artigo 27, porém, a convenção admite a produção de extratos aromatizantes a partir da folha de coca, desde que não contenham alcalóides. "O artigo foi escrito sob medida para a Coca-Cola", afirma Pendergrast, que diz não saber se a empresa fez lobby para a aprovação dessa ressalva na convenção.Sem contradiçãoPara o secretário-geral da Jife, Herbert Schaepe, não existe contradição entre a política norte-americana de combate às drogas e o uso das folhas de coca para a produção do aromatizante usado pela Coca-Cola. "Tudo isso é permitido pelas convenções internacionais, autorizado pelos órgãos competentes dos países e fiscalizado pela Jife", disse Schaepe à Folha. "O que se combate é a produção para fins ilegais."Segundo ele, não existe nenhum impedimento legal para que os países produtores incentivem outros usos legais para a coca ou para qualquer outro produto de uso controlado, mas isso poderia criar dificuldades para as campanhas de prevenção às drogas."Se a coca, a maconha ou a papoula (matéria-prima do ópio e da heroína) se tornam comuns, a acessibilidade traz a sensação de que não são produtos que provocam algum tipo de dano", afirma.

É, mas no Brasil a Lei de entorpecentes em vigor classifica a folha de coca e suas preparações como entorpecente, e sua utilização, sob qualquer forma É PROIBIDA...

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

¿Tuvo Cocaína la Coca-Cola?

Consumidores espanhóis e de países caribenhos também já estão perguntando.
Só que os brasileiros precisam ensiná-los a perguntar certo:

Existe algum derivado da folha de coca na composição do xarope da Coca-Cola?

Valeu Laerte Codonho!!!
Sua motivação está contagiando o mundo.

A " Sexta-feira negra"...

Até o outono de 1957, agitação social era coisa impensável no prédio da Cocacola. Empregados leais saboreavam almoços a U$ 0,35 e tomavam qunta Cocacola pudessem dar conta de graça.
Os salários não eram os melhores da cidade, mas o emprego na companhia significava prestígio e segurança. Era o que todos pensavam até o dia 8 de novembro daquele ano, uma sexta-feira.
No ano anterior, Woodruff havia trazido Curt Gager, conhecido "carrasco" da General Foods, para ocupar o posto de numero dois na empresa. Diziam que ele havia sido o executor dos trabalhos sujos na GF.
Na manhã daquele dia, um terço dos empregados( não se sabe o numero exato, pois a companhia não se manifesta sobre o assunto) que se apresentaram para trabalhar as 9 da manhã, foi sumariamente demitido, indenizado, mandado limpar a mesa e retirar-se do prédio até as 9 e 30.
A sexta-feira negra, como o dia foi logo batizado, foi um choque inesperado para todos, não havia lógica nas demissões. Segundo Charles Botton, "tinhamos aqui pessoas que não valiam merda e ficaram" e outras que faziam "um trabalho fantástico" e foram postas no olho da rua.
O fato despedaçou vidas. Um dos demitidos cometeu suicidio no vizinho Lake Spivey, e ao fim do dia, uma mulher do departamento pessoal, cheia de culpa, deu um tiro na cabeça.
Segundo Botton, " a perda de prestígio por deixar a companhia era tão grande que elas ficariam mesmo que fosse para fazer faxina nos banheiros".
Não há vestígios da sexta-feira negra nos arquivos da companhia e nenhum jornal de Atlanta publicou notícia sobre as demissões ou sobre os suicídios. Naquela ocasião, lembra-se um funcionario, a Cocacola podia manter qualquer coisa fora da imprensa( só naquela época?)". "Woodruff podia andar nu no telhado, sob refletores, que nada sairia nos jornais".
Meses depois, Curt Gager, "o carrasco" foi demitido. Ele havia feito o trabalho sujo para Woodruff, sacudindo a companhia presa a tradição.

Este episódio parece ter inaugurado uma nova tradição na companhia, que de tempos em tempos, e sob as mais variadas desculpas, promove um desses hoje chamados "trens", "bondes", "barcas" ou " aviões".

Informações obtidas no livro Por Deus, pela pátria e pela Cocacola de Mark Pendergrast, edição de 1993, o mais completo livro documental da história da companhia, já editado.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Estudantes Votam Para Boicotar Coca-Cola

Onnie

A prática já chegou a algumas universidades da Grã Bretanha: Associações de alunos organizam votação para boicotar a Coca-Cola nos campi e nas imediações das universidades.Representantes Alegam a condição da companhia de campeã dos crimes entre as multinacionais, rejeitando radicalmente o consumo de produtos dessa empresa.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Tá Valendo Prêmio

Coca-Cola Co. oferece prêmio de $9.000.000 de dólares (valor atual estimado em ações da cia) ao CEO Neville Isdell se ele cumprir as metas da companhia até 2007.

A se julgar pelo valor do prêmio, deve ser um desafio e tanto.....

ONG Investiga Alimentos Contaminados

Relatórios de contaminação de alimentos por corantes ilegais e cancerígenos estão sendo investigados pela NCF - National Consumer Forum.
O corante utilizado para colorir substâncias da cor de petróleo, óleo e graxa de sapato, foi descoberto em mais de 350 tipos de produtos do setor de alimentos na Grã Bretanha, muitos dos quais também são consumidos na África do Sul. São eles: Crosse and Blackwell, Colmans (Unilever) and Heinz, coquetel de suco de tomate Schweppes/Coca-Cola.

Lista

A #1 Do Telão



O refrigerante número dois no mundo desbanca todas as marcas do planeta no telão, inclusive a #1 Coca-Cola. No cinema, o Oscar da marcas este ano vai para a PepsiCo.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

IMUNIDADE SECRETA


www.dolly.com.br

27 empresas do setor de alimentos estão sendo investigadas. Por que não a Coca-Cola?

"Lesar Consumidor Dá Multa Alta" – Esta foi a manchete de primeira página do Jornal do Brasil de sábado, 19/02. São 46 processos administrativos contra empresas suspeitas de maquiagem de produtos. Entre as 27 do setor de alimentos estão a Nestlé, a Kraft Foods e a Unilever Bestfoods Brasil, alvos de 4 investigações cada.

Reza o Código de Defesa do Consumidor brasileiro que da embalagem do produto devem constar informações, claras e precisas em seus detalhes, sobre os ingredientes da composição a ser consumida. As empresas em questão são acusadas de alterar para menos a quantidade de mercadorias, sem alertar o consumidor com clareza sobre o fato.

Muitos consumidores informados da notícia não puderam evitar a lembrança da companhia insistentemente ausente desse tipo de investigação e punição. Lembrança esta que compreende indagações que se acumulam com o passar do tempo, mas que podem se agrupar em uma pergunta só: Por que não a Coca-Cola Company?

O que dizer de uma empresa
- que se recusa a identificar o extrato vegetal contido no xarope da coca-cola?
- cujo SAC (serviço de atendimento ao cliente) responde sobre noz de cola quando o consumidor indaga sobre folha de coca?
- cujo presidente em audiência pública na Câmara dos Deputados, às risadas, responde que a origem do extrato vegetal contido no produto "é de um extrato vegetal"....?
- cujo diretor químico, também em audiência no Congresso Nacional, declara "não ter conhecimento específico sobre a composição da coca-cola"?
- cujos próprios funcionários vêm a público denunciar seus crimes?
- cuja a importação de folhas de coca para a utilização em seu principal produto é admitida por várias autoridades internacionais envolvidas no fato?
- sobre a qual há denúncias de sonegação fiscal que podem chegar a 7 bilhões de reais?
- que faz parte como vilã da mais conhecida guerra de mercado do momento no país (Dolly X Coca-Cola) se transformando num verdadeiro 'reality case'?
- que é reconhecida globalmente como a empresa que mais comete crimes no mundo?

Que imunidade de origem secreta é essa? Por que as outras empresas são punidas e a Coca-Cola...... não.......?

por S. Braaten
fonte: Brazil In London Update/Economy/Guest Column/Portuguese/02.20.2005

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

1903 : O Stephan Chemical entra em cena....

Em 1900, a Coca-Cola gerava controvérsias nas ruas, nos meios científicos e nos tribunais.
Arruaças, racismo, Ku Klux Klan, fanáticos religiosos, de maneiras diversas eram motivos para polêmicas. A Cocaína, a droga maravilhosa de 1885, transformara-se em 1900 no flagelo da humanidade. Fazendeiros davam cocaína a seus meeiros em vez de comida, e nas cidades a droga era mais barata do que o alcool. Mas como sobreviver sem o estímulo da folha de coca na fórmula?
Asa Candler, mesmo pressionado, insistia em manter a Coca-Cola inalterada. Processos judiciais em 1901 e 1902 apresentavam testemunhos médicos sobre os malefícios da droga.
Finalmente sob pressão, Candler "removeu" a cocaína em 1901, porém, exames quimicos no ano seguinte ainda constatavam a existência da droga na bebida, ainda que em menor quantidade.
Em dezembro de 1902, o legislativo da Geórgia tornou ilegal a venda de cocaína sob qualquer forma.
Em agosto de 1903 a The Coca Cola Company assinou um contrato com a Schaefer Alkaloid Works, de Maywood N.J., para "descocainizar" a folha de coca.
O Shaefer Alkaloid Works, nada mais é do que o predecessor do atual, conhecido e polêmico Sthepan Chemical Company, funcionando até hoje no mesmo endereço...

Informações retiradas do livro Por Deus, pela pátria e pela Coca-Cola, de Mark Perdengrast. edição de 1993, não mais encontrado nas livrarias brasileiras.

domingo, fevereiro 20, 2005

1886/1903 : OS ANOS DA COCAÍNA...

Em 1988 Asa Candler obteve o controle completo da Coca-Cola, comprando a fórmula de Pemberton e expandindo o négócio por todo o país. Ainda comercializada como "um dos melhores tônicos do mundo" era a "solução" para problemas que iam da ressaca a cura de doenças nervosas.
A combinação de cocaína e cafeína induzia repetidos pedidos de Coca-Cola. Seus usuários habituais foram logo batizados como "os tarados da Coca-Cola". Os revendedores negavam a possibilidade de alguem se tornar um bebado de gasosa, mas acrescentavam que "se beber a noite, não consegue dormir".
A quantidade real de cocaína na Coca-Cola, de acordo com uma fórmula em poder do bisneto de Frank Robinson, um dos primeiros sócios, mostrava que 36 galões de xarope exigiam 4,5 kg de folha de coca. Isso correspondia a 0,13 grãos de cocaína por copo, ou 8,45 mg, o que é um volume mínimo da droga. Mas combinada com cafeína o efeito potencializava.
Uma dose normal de cocaína cheirada hoje nas ruas, contem de 20 a 30 mg. O individuo que bebeu 5 copos de Coca-Cola seguidos no balcão de gasosas recebeu mais de de 40mg de cocaína - um "pico" e tanto, embora a droga seja mais eficiente cheirada do que ingerida.
Em 1891, a pressão contra os malefícios da cocaína já pressionava a Coca-Cola, e seria assim por muitos anos, até 1903.

Informações retiradas do livro Por Deus, pela pátria e pela Coca-Cola, de Mark Pendergrast, edição de 1993, não encontrada mais nas livrarias brasileiras.

1886 : Enfim, a filha...

Em 25 de novembro de 1885, Atlanta e o condado de Fulton aprovaram a lei seca, entraria em vigor em 1 de julho de 1886.
Os remédios a base de vinho tinham seus dias contados. Convencido das virtudes da folha de coca e da noz de cola, Pemberton começou a trabalhar uma fórmula alternativa. Fez isso durante todo o inverno, até a primavera de 1886, testando como um obcecado a nova bebida "da temperança", na base de coca e cola. Testava com o público vendendo-a no balcão da Jacobs´Pharmacy. Em abril daquele ano, acreditou ter chegado a fórmula ideal. Faltava-lhe um nome, o que foi sugerido por Frank Robinson, um de seus sócios, por descrever seus dois principais ingredientes. Coca e cola.
Por setenta anos o fato do nome derivar claramente dos seus ingredientes, obrigou os advogados a redigir arrazoados jurídicos dizendo justamente o contrario. Em 1959, o presidente da The Coca Cola Company referia-se a ele como "um nome aliterativo, sem sentido, mas imaginoso", numa clara tentativa de negar o passado, a origem, e porque não dizer......o presente.

Informações e transcrições retiradas do livro Por Deus, pela pátria e pela Coca-cola de Mark Pendergrast, edição de 1993, "sumido" das livrarias brasileiras.

sábado, fevereiro 19, 2005

Vinho de Coca Francês, o "Pai da Coca-Cola"...

Ao estudar a formula do Vin Mariani, Pemberton acreditou poder melhora-la e declarava que o seu vinho continha "as virtudes médicas da Erythroxylon coca, uma planta do Perú, as nozes da cola africana, com puro vinho de uva". Esse ingrediente, a noz de cola, compunha a suposta melhora sobre o vinho de Mariani.
A noz de cola, plantada na Africa Ocidental, era usada pelos nativos de forma semelhante a coca, pois continham um alcalóide poderoso- a cafeína - em proporções maiores do que no chá ou no café. Havia também um terceiro ingrediente no vinho de Pemberton - a Damiana - definido no dicionário Webster da época como " a folha seca da turnera diffusa da américa tropical, usada como tônico e afrodisíaco". Portanto. todos os ingredientes do tônico de Pemberton eram afrodisíacos...
Pemberton americanizava as afirmações de Mariani, enfatizando as propriedades do seu vinho de coca na cura de distúrbios nervosos, impotência e problemas circulatórios, afirmando que " o vinho de coca francês é endossado (sic) por mais de 20.000 dos mais cultos médicos do mundo".
Em um de seus anúncios de 1885, deixava claro seu entusiasmo e seus objetivos:

"OS AMERICANOS SÃO O POVO MAIS NERVOSO DO MUNDO...A TODOS OS QUE SOFREM DE DISTÚRBIOS NERVOSOS, RECOMENDAMOS O USO DESSE MARAVILHOSO E DELICIOSO REMÉDIO, O VINHO DE COCA FRANCÊS, INFALÍVEL NA CURA DE TODOS OS QUE SOFREM DE PROBLEMAS NERVOSOS, DISPEPSIA, EXAUSTÃO MENTAL E FÍSICA, DOENÇAS CRÔNICAS E CONSUMPTIVAS, IRRITABILIDADE GASTRICA, PRISÃO DE VENTRE, DOR DE CABEÇA, NEURALGIA ETC., RAPIDAMENTE CURADOS PELO VINHO DE COCA. ESTE VINHO PROVOU SER A MAIOR BENÇÃO DA NATUREZA HUMANA, A MAIOR DÁDIVA DA NATUREZA(DE DEUS) NA MEDICINA. CLÉRIGOS , ADVOGADOS, LITERATOS, COMERCIANTES, BANQUEIROS, SENHORAS, E A TODOS AQUELES CUJA VIDA SEDENTÁRIA TRAZ PROSTRAÇÃO NERVOSA, IRREGULARIDADES DO ESTOMAGO, INTESTINOS E RINS, E PRECISAM DE UM TÔNICO PARA OS NERVOS E ESTIMULANTE, DELICIOSAMENTE DIFUSÍVEL, DESCOBRIRÃO QUE O VINHO DE COCA É DE VALOR INESTIMAVEL, RESTAURADOR SEGURO DA SAÚDE E DA FELICIDADE. A COCA É O RECONSTITUINTE MAIS PODEROSO DOS ORGÃO GENITAIS E CURA FRAQUEZA SEMINAL, IMPOTÊNCIA ETC..NO CASO EM QUE FRACASSAM TODOS OS DEMAIS REMÉDIOS. PARA OS INFELIZES VICIADOS NA MORFINA E NO ÓPIO, OU NO USO DE ESTIMULANTES ALCOÓLICOS, O VINHO DE COCA FRANCÊS REVELOU-SE UMA GRANDE BENÇÃO, PROCLAMADO PRO MILHARES O MAIS NOTAVEL REVIGORANTE QUE JAMAIS SUSTENTOU UM DOENTE EM PÉSSIMO ESTADO. "

Pemberton era viciado em morfina, em 1885 afirmou a um reporter "estou convencido após experimentos concretos de que a coca é o melhor substituto possível para o ópio, no caso da pessoa viciada ser jamais descoberta. Ocupa o seu lugar, podendo livrar o paciente do pernicioso hábito sem inconveniência ou dor"

Um ano depois Pemberton inventou a Coca-Cola...

Informações e transcrições retiradas do livro Por Deus, Pela pátria e pela Coca-Cola de Mark Pendergrast, edição de 1993

Vinho Mariani, o "Avô da Coca-Cola"...

Pemberton leu sobre a folha de coca em fins dos anos 70( século XIX), anos antes de inventar a Coca-Cola. A descoberta dos "efeitos maravilhosos" da folha espalhava-se pelo mundo nesta época. Em 1884 Sigmund Freud experimentou pela primeira vez a cocaína, como antídoto para as suas crises de depressão e letargia, publicando inclusive escritos sobre a coca(Über Coca), "uma substância mágica" conforme disse em carta a sua noiva.
Outro médico, Carl Koller, descobriu a cocaína como anestésico em cirurgias oculares, o que chamou a atenção de Pemberton, ele mesmo que sofrera dolorosas operações oculares sem anestesia.
Na primeira metade da década de 80(século XIX), a "mania pela coca"invadiu o mercado da época com comprimidos, unguentos, sprays, injeções, vinhos, bebidas, refrigerantes, cigarros e charutos, tudo a base de coca. Neste cenário Pemberton lançou em 1884 o seu French Wine Coca, uma imitação do Vin Mariani de 1863, que já continha uma infusão da folha de coca.
Tempos depois Pemberton modificaria seu vinho em função da Coca-Cola.
O Vinho Mariani foi na verdade o "Avô da Coca-Cola". Continha 0,12 grãos ou 64.8 mg de cocaína por onça. Tres copos diários ou 18 onças continham 2.16 grão de cocaína por dia, o suficiente para uma pessoa se sentir "maravilhosamente bem".
Era um estrondoso sucesso não só na europa como nos Estados Unidos e, obviamente foi seguido por dezenas de imitadores, entre eles os que misturavam cocaína pura com vinho ordinário, de gosto amargo mas com maior efeito.
O vinho de Pemberton, predecessor da Coca-Cola, era uma dessas imitações, ainda que considerado de qualidade superior.

Fonte:Informações e transcrições retiradas do livro Por Deus, pela pátria e pela Coca-Cola, de Mark Pendergrast, edição de 1993, "misteriosamente desaparecido" das livrarias brasileiras.

Ecos Do FSM 2005

No FORUM SOCIAL MUNDIAL de Porto Alegre, a Coca-Cola recebeu o protesto mais popular, teve o workshop mais concorrido e originou a marcha com o maior número de pessoas (500).



marcha


rali


workshop

A campanha contra a Coca-Cola também tomou parte no manifesto que reuniu 100.000 pessoas durante a abertura do Forum. Participantes se organizaram para criar manifestos em seus países de origem. A indiaresourse.org anunciou que vai fazer uma tournée de palestras contra a Coca-Cola que coincidirá com encontro anual de acionistas da companhia a se realizar em abril de 2005.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005


AFP

Parceria Terminada
Chega ao final a parceria entre a Coca-Cola e a Danone. O Board Of Directors da Coca-Cola ficou de assinar a aquisição da parte da Danone na quinta-feira, dia 17. Analistas comentam que a decisão foi acelerada pela intenção da Coca-Cola de introduzir a Dasani de volta aos pontos de consumo, com previsão de marketing agressivo, visando a venda em toda a União Européia.

Dasani é aquela água protagonista do escândalo que resultou no recall overnight de milhares de unidades do produto, que tiveram de ser recolhidas do mercado, por ter sido este coletado nas torneiras da Grã Bretanha.

A Danone venderia sua parte à Coca-Cola incluindo os direitos sobre a a estratégia de marketing da Danon Waters e da Sparkletts, sendo que a Coca já detém a licença para a venda da Evian. Estes produtos seriam redistribuídos com um novo planejamento de vendas, todos sob a tutela da Coca-Cola, numa tentativa também de diluir a imagem negativa da Dasani.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Coca-Cola sofre forte derrota judicial e ainda vai ter que pagar...

Publicada no D.O. sentença do Juiz da 18 ª Vara Cível não só indefere pedido de multinacional contra a Dolly, como ordena que a multinacional pague as custas do processo e 10% sobre o valor da causa
URGENTE - São Paulo, 16 de fevereiro – A Coca-Cola e sua engarrafadora acabam de sofrer a sua primeira grande derrota também na Justiça, além das que já vêm sofrendo no âmbito administrativo, onde prosseguem as investigações. Foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado de São Paulo a sentença do juiz Beethoven Giffoni Ferreira, titular da 18ª Vara cível, julgando improcedente a ação movida pelas multinacionais (Spal/Coca) contra a Dolly, seu fabricante e o dono da marca. Em documento esclarecedor e com todas as possíveis considerações sobre o caso feitas e analisadas, o juiz “derrubou” uma a uma as alegações contra a Dolly. E condenou que a Coca-Cola, por sua engarrafadora, pague as custas do processo e honorários do advogado, 10% do valor dado à causa.
A AÇÃO: DERRUBADAS AS ACUSAÇÕES CONTRA A DOLLY A ação ordinária – processo de nº 04 046260-9 - estava sendo movido pela Coca/SPAL contra a empresa brasileira Dolly, que há mais um ano e meio vem apresentando publicamente provas contra a multinacional, que acusa de concorrência desleal, abuso do poder econômico e práticas criminosas executadas para tirá-la do mercado. Segundo as alegações da Coca-Cola e sua engarrafadora, a Dolly estaria “denegrindo sua imagem”, tentando “colocar seu produto em destaque”, “usando trechos cortados de gravações dando conta do plano para a retirada da concorrente do mercado”, entre outras acusações. Para o juiz Beethoven, que em sua sentença se mostra totalmente inteirado do caso em todas as suas ramificações (cita os processos administrativos, a solicitação de análise do extrato vegetal, o caso sendo discutido na Câmara dos Deputados, etc.) não houve dano moral presumível e não há o que ser indenizado à multinacional. “Não há dano à honra subjetiva da pessoa e nem há prova de que o fato teria respercussão nos sentimentos da alma..”, afirma o juiz. E continua, citando ampla literatura e jurisprudência: “Simples incômodos não justificam a indenização por danos não patrimoniais”. “Não mesno certo é que na verdade nem existe a menor notícia de que a poderosa parte A. (Spal/Coca-Cola) haja sofrido algum onus, quer moral, quer financeiro, a partir das iniciativas da parte requerida”, observou o juiz logo de início, ao julgar o mérito da questão.
“Para nós é uma grande vitória. E uma vitória prevista”, diz o advogado responsável pela defesa da Dolly Refrigerantes, marca e engarrafadores, Ismael Corte Inácio. “Estamos tranquilos. Temos apresentado provas contundentes de nossas acusações. A opinião pública vem sendo informada e vê claramente que a multinacional Coca-Cola não tem respostas consistentes. Tentam apenas jogar fumaça, mudar o foco. Embora se possa presumir que a vencida poderá recorrer ao TJ no prazo de quinze dias da publicação da sentença, também é perfeitamente presumível que o recurso será negado”. A tentativa frustrada da Coca-Cola buscou envolver até o histórico semanário O Pasquim que, em janeiro do ano passado, publicou extensa reportagem e entrevista com Laerte Codonho, dono da marca Dolly. Não é a primeira vez que a multinacional busca cercear os meios de comunicação com relação às denúncias que vem sendo feitas, sem contar o uso pesado de verbas de propaganda para intimidar os veículos e tentar abafar o caso. “O conhecido hebdomadário Pasquim celebriza-se pela jocosidade, e pela exploração de assuntos de repercussão como este, e não há notícias de alguma perda de faturamento porventura havida a partir da reportagem...”, descreve o juiz em sua sentença.
Informações: Marli Gonçalves – Mtb 12.037Assessoria de Imprensa
Tel. 11. mailto:9186-0085marligo@uol.com.br

outras fontes: http://conjur.uol.com.br/textos/252522/
http://economia.dgabc.com.br/materia.asp?materia=460221

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Dia Dos Namorados Nas Universidades Americanas É Marcado Por Protestos Contra A Coca-Cola

Alunos de universidades norte-americanas protestam contra o tipo de relacionamento entre estas e a Coca-Cola, e no Dia dos Namorados - 14/02 - enviam cartões às autoridades pedindo o fim dos 'sweatshops' (lojas da marca) nos campi. Os alunos cobram o "comportamento ético" das universidades, já que a Coca-Cola é conhecida como a empresa que mais comete crimes no mundo.

Agência De Impostos Da Venezuela Fecha Coca-Cola Por 2 Dias

Livros de contabilidade desatualizados, impostos pendentes e desrespeito à leis fiscais do país levam Coca-Cola à uma punição de 2 dias com as portas fechadas na Venezuela.

A nova política agressiva do governo venezuelano faz parte da campanha "evasão zero" que já atingiu o Mac Donalds em fevereiro, a Lucent Technologies, entre outras empresas nacionais e multinacionais´

Essa nova política já permitiu um aumento de 50% na arrecadação dos impostos de 2004 em relação ao ano de 2003.

domingo, fevereiro 13, 2005

Dolly X Coca-Cola

Veja o status do DILEMA DO EXTRATO VEGETAL

sábado, fevereiro 12, 2005

Coalisão Killer Coke Organiza Rally De Pressão

Baseados no preceito de que todos os acordos com a área educacional têm que ser eticamente corretos, estudantes universitários em parceria com a Anistia Internacional, a Organização Estudantil Para A Igualdadade Econômica, Trabalhista e de Justiça Ambiental, e o Comitê Hillel Para Justiça Social no estado de Michigan, EUA; formaram uma coalisão - Coalisão Killer Coke - que organiza eventos progressivos com o intuito de reeducar o corpo.

Um dos objetivos principais é cortar os contratos das instituições de ensino com a Coca-Cola. Ontem, durante um rally para pressionar o corte dos contratos, o que chamava mais atenção eram as 125 garrafas de coca-cola enfileiradas no circuito de Diag, representando a medida de 125 pés de declínio nos níveis da água na Índia. Resultado da utilização abusiva dos lençóis freáticos, feita pelas fábricas de coca-cola.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Nestlé, Pepsico e Coca-Cola Destroem Nascentes Pelo Mundo

Com o crescimento assustador das vendas de água engarrafada, essas três empresas fazem parte do grupo de multinacionais que pressionam a privatização dos mananciais e nascentes nos países em desenvolvimento.

O Peso Da Obesidade Nas Colas

Embora os efeitos das 'colas' na saúde da população continuem em debate, a questão da obesidade realmente manchou a imagem das mesmas e a percepção dos consumidores já se tornou negativa quando se fala em Pepsi ou em Coca. Analistas da Morgan Stanley afirmam que 58% dos consumidores consideram que as 'colas' contém muitas calorias e somente 1% as vê como saudáveis.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Rastro Predatório Da Coca No Mundo É Tema Para O FSM

No FORUM SOCIAL MUNDIAL "a Coca-Cola é reconhecida como a empresa mais criminosa do mundo", afirmou Edgard Paez Melo, membro do SinalTrainal - Sindicato Nacional das Empresas de Alimentos da Colombia. Presente em 200 países do planeta, quando a ONU só está presente em 191, deixa rastro de contaminacão e crises por onde quer que se instale.

E a Campanha Internacional Contra a Coca-Cola lotou a tenda 203 no espaço E do Território Social Mundial

Só Para Não Revelar A Fórmula

A Coca-Cola nunca patenteou os ingredientes de seu principal produto, cujo intuito é o de manter em segredo a fórmula do xarope da coca.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Nem Mais Entre As 5 Primeiras

Na última pesquisa feita pela Interbrands sobre marcas, a Coca-Cola não alcançou nem o quinto lugar.

ranking das maiores marcas do mundo:
1- Apple
2- Google
3- Ikea
4- Starbucks
5- Al Jazeera
6- Coca-Cola

Leia mais sobre o assunto

Indígenas Do Chiapas Lutam Contra A Coca-Cola

.
Mas a falta de água potável no México obriga a população a ingerir refrescos e refrigerantes como única opção. Entenda o problema.

Coca-Cola Compra Folhas De Coca No Peru

Quem afirma é o presidente da Comissão Nacional Para O Desenvolvimento E Vida Sem Drogas do Peru (DEVIDA). Leia a reportagem.
Mais sobre o assunto.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Entrevista

Ao periódico A Nova Democracia. Com esclarecimentos cruciais sobre a Coca-Cola.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

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Decifra-me......
Ou Te Devoro.

Por Stella Braaten

Numa recente viagem ao Sri Lanka, em missão especial de ajuda aos sobreviventes da catástrofe das Tsunamis, entrevistei uma criança nativa que vagava pelo maior acampamento da região e dizia falar inglês.

Sem saber de sua família há dois dias, o garoto de oito anos respondia às minhas perguntas decifrando imagens. Fiquei fascinada com a forma poética de suas expressões que contrastavam tão brutalmente com aquele momento obscuro e ainda muito ameaçador de pós-catástrofe. Mas o que mais me impressionou durante a entrevista foi a linguagem corporal do menino, que culminava com acenos para as respostas negativas e com abanos da cabeça para respostas positivas.

Perto de mim, um repórter de uma grande emissora de TV me observava. Em um momento de pausa na entrevista, ele me interpelou: -"Stella, você não se confunde?..... Nem de vez em quando?" Respondi para ele que, apesar de fascinada com a expressividade do menino, em nenhum momento me fixei nas diferenças entre a cultura dele e a minha. Estava o tempo todo mergulhada em seus imensos olhos negros, que me contavam tudo o que eu queria saber. Tudo, do mesmo jeito que uma criança do meu país me contaria. Naquela hora, só o que importava eram as nossas semelhanças.

Há duas semanas atrás, ao retornar ao Brasil, acessei um blog que acompanho, sobre a interessante jornada da Coca-Cola nos tribunais do mundo, onde existem contribuições de muitas fontes por mim conhecidas, e me deparei com um debate saudável e acirrado sobre autenticidade, ética e livre arbítrio.

A polêmica, que acontecia nas janelas de comentários, se embasava na 'exigência' de alguns participantes em obter respostas para duas perguntas feitas a Cesar Azambuja, que responde pela autoria do blog: 1- O porquê da denúncia à Coca-Cola somente após sua demissão da mesma. 2- O que ele consideraria por ética. Respostas estas as quais Azambuja afirmava já ter fornecido em seu livro "Isso sim é real....", em entrevistas ao programa 100% Brasil na Rede TV, e até mesmo em post no seu blog, sob o título Tempo e Ética.

Independentemente da leitura particular feita por cada um de nós, em cima de veiculações que podem conter as respostas que Cesar Azambuja informa ter dado, de maneira alguma consigo aceitar que a leitura interpretativa (em qualquer nível) caminhe para a extinção. Se tomarmos o livro "Isso sim é real..." como 'carro-chefe' da seqüência dos fatos da trajetória de Azambuja, encontraremos lá dados sobre seu processo trabalhista contra a Coca-Cola, anterior portanto à publicação de seu livro, onde é explicado que a existência do processo se deve à total impossibilidade de acordo com a Coca-Cola, gerando assim, uma necessidade por parte da Justiça brasileira em obter informações mais aprofundadas sobre o relacionamento de Cesar Azambuja com a empresa.

Se Azambuja tivesse obtido um acordo justo com a Coca-Cola, por época de sua demissão da mesma, muito do que é notícia e virou causa nacional no Brasil não teria chegado ao conhecimento da população brasileira. Ele que me corrija se estiver errada, mas se Cesar Azambuja não tivesse iniciado seu processo trabalhista contra a Coca-Cola, Laerte Codonho teria sido a primeira pessoa no Brasil a "peitar" a Coca-Cola de forma contundente.

Se arrumarmos os fatos, este é o resultado em seqüência: a) César Azambuja é demitido de forma irregular; b) César Azambuja tenta acordo por alguns anos com a Coca-Cola; c) Cesar Azambuja entra com processo trabalhista contra a Coca-Cola devido a impossibilidade de acordo com a mesma; d) Na elaboração do processo trabalhista, César Azambuja é, por lei, obrigado a revelar informações mais detalhadas sobre a Coca-Cola; e) Com seu processo na Justiça parado e conseqüentemente sua vida também, Cesar Azambuja escreve um livro relatando sua trajetória na Coca-Cola.

Sabe-se que ingressar em uma empresa como a Coca-Cola, durante o século passado, implicava em vestir a camisa da companhia e fazer parte dela como uma engrenagem. A ética não era responsabilidade do funcionário. À empresa, cabia responder sobre conceitos abstratos. Ao funcionário, cabia obedecer e produzir. Naquela época, nem mesmo a responsabilidade social existia.

O que ficou evidente para mim, e para muita gente que já vi comentar sobre o caso Dolly X Coca-Cola, é que não faria sentido para César Azambuja, assim como não faz para milhares de brasileiros demitidos de multinacionais durante a década de 90, sair por aí denunciando sobre segredos de empresas onde trabalharam. A maioria desses ex-funcionários é de pessoas "profissionalmente éticas". Mesmo porque trabalhar em empresas como a Coca-Cola muitas vezes é interpretado como, no mínimo, ser conivente com atividades ilícitas, e manchar a imagem profissional, significando menos potencial de empregabilidade.

Objetivamente, a Justiça tem poderes para quebrar sigilos , e foi o que aconteceu no caso de Cesar Azambuja. Ele falou sobre a Coca-Cola no momento que foi intimado a falar a verdade. Quanto a sua ética, por aparentemente não ter satisfeito algumas pessoas com sua resposta, assim como o menino sobrevivente em Sri Lanka, ele tem o direito de mostrá-la para os que se interessam por isso de uma forma mais explícita do que por expor verbalmente seus preceitos filosóficos. Imagino que, da mesma forma que o menino do Sri Lanka se expressa por imagens e sua mensagem fica muito mais bonita, Cesar Azambuja esteja muito interessado no momento em se expressar com ações, visto que, desta forma seu discurso ficaria muito mais convincente.

Reféns das restrições da globalização, somos obrigados a aprender tantos idiomas quanto a nossa receita comportar, ao mesmo tempo que esquecemos de preservar nossa capacidade interpessoal de encontrar no semelhante os fatores que, por definição, o elegem como tal. Com isso, embotamos nossa sensibilidade, e às vezes fomentamos atitudes fundamentalistas que nos tiram da sintonia com o nosso ambiente.

O que me passa pela cabeça quando acompanho casos como o de Azambuja, é exatamente questionar o quanto vale a pena, em certas situações, ser "profissionalmente ético", quando mais cedo ou mais tarde pagaremos um preço incalculável por isso. Penso então naqueles que igualmente como Cesar Azambuja saíram de empresas guardando segredos profissionais com potencial de bomba atômica. É justo isso? Certamente que não. Portanto, temos que saber que muitos casos "eticos", são casos para a"Justiça" e muitos casos de "justiça" são casos para o "bom senso", e muitos casos de "bom senso" não são nada éticos.

A famosa síndrome da esfinge se perdeu pela década de 70, durante a Ditadura Militar, onde todos perguntavam, e os que errasem nas respostas que eram pré-determinadas, corriam risco de serem eliminados. Hoje, mundializados, temos que conviver com variedades e multiplicidades em todas as esferas de conhecimento. Temos, principalmente , que respeitar o tempo e as diferenças de cada semelhante, até para poder cumprir com sucesso nossas rotinas mais básicas.

Stella Braaten é jornalista brasileira

fonte: Diplomacy&Business Newsletter 01/03/2005 br

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Tempo E Ética

Abaixo, estou postando excepcionalmente um e-mail que enviei ao Sr. Wagner Fernandes, onde procuro esclarecer alguns pontos de dúvida, que parecem ser comuns aos que contribuem com seus comentários nas janelas de comments, nos posts mais recentes deste blog. É uma oportunidade para estes, assim como para todos os que "pegaram o blog andando", melhor compreenderem o foco da questão e a seqüencia dos fatos de uma causa que já pertence a um número pessoas que não para de crescer.

Olá Wagner,

Não sei o nível de informação que você possui sobre essa cruzada. Mas vou procurar resumir alguma coisa em respeito a sua autenticidade de enviar seu endereço de e-mail.
Fui funcionário da Coca-Cola por dezoito anos, até 1987. Tenho uma ação judicial contra essa empresa, já fazem quase sete anos. Na ação já constavam a maioria das denúncias, que somente do ano passado para cá tiveram maior divulgação.
No decorrer deste caminho, que se iniciou como uma questão pessoal, tive oportunidade de denunciar os fatos em alguns foruns. Como no CADE por exemplo, já no ano de 2000. Alguns veículos de imprensa também se interessaram em algum momento, abandonando o caso na medida em que as verbas publicitárias eram liberadas para seus cofres. Existem provas documentais disso em pelo menos um caso. O do Correio Brasiliense, relatado em meu livro.
O que difere a situação agora, é o fato de que, insatisfeito com a condução da nossa justiça, resolvi escrever um livro relatando minha experiência com a Coca-Cola. Sem esconder nada e citando as pessoas nominalmente e a maneira de atuar da empresa. Isso obviamente incomodou muita gente, como você pode perfeitamante perceber em alguns comentários. Se qualquer dos fatos relatados fosse inverídico, voce não acha que eu estaria preso? processado? ou o livro recolhido?.
Não, eles calaram e se omitem de discutir a questão porque não tem contra argumentos. Mas essa é uma outra questão.
Durante essa caminhada, novos fatos, pessoas e entidades também prejudicados por eles, foram se agregando. O Blog surgiu daí, como consequência e não como causa ou objetivo inicial. O livro, o Blog, a mídia, despertaram, mais que obviamente a tropa de choque que conheço bem e sei como atua. Apagam incêndio, mas não salvam a casa.
E pode anotar, ela vai cair...
Entendo e aceito perfeitamente opiniões contrárias, críticas, oposição e até ataques gratuitos de predadores que se preocupam mais com a forma de que com o conteúdo.
Mas agressões pessoais, covardes e anônimas eu rejeito e desprezo.
Não pretendo ser dono da verdade, não renego meu passado e não me sinto santo.
Mas tenho e vou exercer o direito de me manifestar sobre aquilo que acredito e que apreendi enquanto achar necessário e útil. Contra qualquer anônimo covarde, qualquer predador teleguiado ou inocente útil. Mas principalmente a favor da maioria esmagadora das pessoas, refletida na correspondência que recebo.
Não vejo a questão ética como receita de bolo. Eu tenho a minha e estou conscientemente satisfeito com ela. Respeito a dos outros, inclusive a sua.
grato,

Cesar Azambuja