sexta-feira, novembro 12, 2004

Para Não Esquecer.......

A corrupção venceu a esperança
Bicheiros pagam o que está escrito. Por Helio Fernandes, Tribuna da Imprensa, 14 de fevereiro, 2004

Ontem, a sexta-feira 13 foi ruim para o PT-PT e para o PT-governo. Pior mesmo só se fosse agosto, aí seria o triângulo da falta de sorte. Ontem, o site da Época na internet veio com denúncias sobre PROPINAS de gente graúda da Casa Civil, cobradas (pedidas, vá lá) a bicheiros do Rio de Janeiro.

Isso não é tudo. Na mesma internet aparece o senhor Waldomiro Diniz, subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, pedindo dinheiro para o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na época, Waldomiro Diniz era presidente da Loterj, um dos órgãos mais ricos e mais "acolhedores" de bandidagem no Estado do Rio.

E não esquecer o que já revelei muito aqui, de forma insistente: no governo do PT-PT no Estado do Rio, a Coca-Cola teve PERDOADA multa de 480 milhões de reais. Nesse tipo de PERDÃO, sempre falam em 10 por cento. Seriam 48 milhões, 5% daria 24 milhões. Sabidamente Dona Benedita foi recompensada por ter recompensado a campanha.

Pior ainda para o PT-governo: a magnífica reportagem de Andrei Meirelles e Gustavo Krieger sai na íntegra, amanhã, na revista Época. Transcrevo uma parte, não deixem de comprar a revista.

"Às 19 horas da quinta-feira 12, o subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, Waldomiro Diniz, ficou com os olhos cheios d'água. Acabava de ser informado por Época do conteúdo explosivo de uma fita de vídeo, gravada em 2002 pelo empresário e bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na gravação, Waldomiro pede propina para si mesmo e dinheiro para a campanha eleitoral.

Em troca, promete beneficiar Cachoeira em uma concorrência pública. Na ocasião, Waldomiro Diniz presidia a Loterj, Loteria do Estado do Rio de Janeiro, no governo da petista Benedita da Silva. Waldomiro tentou negar as imagens mas acabou confessando: levou dinheiro do jogo do bicho para a campanha eleitoral do PT. Entregou pessoalmente R$ 100 mil ao comitê do candidato ao governo de Brasília, Geraldo Magela. `Ele entregou na minha mão e foi entregue à campanha do Magela', admitiu Waldomiro, referindo-se a Cachoeira.

Na política do Rio, Waldomiro cercou as favoritas das pesquisas de opinião. Negociou contribuições mensais de R$ 150 mil para Benedita da Silva (PT) e Rosinha Matheus, hoje no PMDB. Para si, ele pediu ao bicheiro 1% do valor dos contratos acertados. À Época, disse que fez o pedido para ajudar um assessor.

Até a noite da quinta-feira, Waldomiro Diniz ocupava um gabinete no 4º andar do Palácio do Planalto. Desde a reforma ministerial de janeiro reportava-se ao ministro de Articulação Política, Aldo Rebelo. Chegou ao governo a convite do ministro da Casa Civil, José Dirceu, de quem é antigo colaborador e vizinho de gabinete. Ambos despacham um piso acima do presidente Luiz Inacio Lula da Silva.

Feito às escondidas, o encontro entre Waldomiro e Cachoeira ocorreu numa das empresas que o bicheiro tem no Rio. Não havia mais ninguém na sala, a câmara de vídeo foi escondida num canto da parede e mesmo assim Waldomiro comportou-se como se mais alguém pudesse ouvi-los. Nos trechos mais comprometedores, o assessor do Planalto fala em voz baixa e chega a sussurrar no ouvido de Cachoeira.

Quando discutem cifras e contribuições de campanha, escreve os nomes dos beneficiados numa folha de papel, para não pronunciá-los em voz alta. Antes de ir embora, Waldomiro rasga a folha e guarda os pedaços no bolso. Para clarear esses trechos, Época submeteu a fita à análise do perito em fonética Ricardo Molina de Figueiredo, da Unicamp. Ele autenticou os trechos publicados nesta edição..."


* * *PS - Inédito: o próprio bicheiro Carlinhos Cachoeira montou as câmeras e gravou a conversa com Waldomiro Diniz. Cachoeira teria feito estágio no SNI ou na ABIN?


Época: "Bicho na Campanha" http://revistaepoca.globo.com/Epoca/(...).html
Helio Fernandes http://www.tribuna.inf.br/coluna.asp?coluna=helio