segunda-feira, novembro 15, 2004

Os Ramazzini Atacam Outra Vez

COCA-COLA USA ABCF COMO “LARANJA” E “ESCUDO” NO CONGRESSO

Temendo revelações na Audiência Pública desta quarta, multinacional manipula deputados e prepara teatro, em conluio com Associação Brasileira de Combate à Falsificação e estelionatário já denunciado.

SÃO PAULO, 15 DE NOVEMBRO – Indiciada pela Secretaria de Direito Econômico, SDE, investigada pela Polícia Federal, prestes a ter o conteúdo de um de seus principais componentes analisado, e com processos transitando em todos os fóruns administrativos e judiciais, a Coca-Cola tenta, agora, mais uma vez, evitar a Câmara dos Deputados. E, para isso, manipula deputados, mídia, e tenta armar um teatro para a próxima quarta-feira, 17, em Brasília, onde está convocada para prestar esclarecimentos em Audiência Pública, às 10 horas da manhã, na Comissão de Defesa do Consumidor . Na ocasião, além de Laerte Codonho, dono da marca Dolly, deveriam estar presentes os presidentes da Coca-Cola, Brian Smith, o ex-presidente, o argentino Jorge Giganti e o ex-executivo Luis Eduardo Capistrano do Amaral. Na pauta, todos os detalhes da concorrência desleal – com a utilização de práticas criminosas, que vão de corrupção de agentes públicos, sabotagem, espionagem, sonegação fiscal, entre outras – praticada pela multinacional em plano para destruir a empresa nacional Dolly, e que seria apenas a “primeira vítima”.

As outras empresas nacionais em crescimento seriam atingidas depois, de acordo com o plano, revelado em detalhes por Capistrano do Amaral, um dos convocados, inclusive.Coca-Cola usa a estranha ABCF como escudo:medo da Câmara Federal ou de novas denúncias? Essa audiência - apresentada e aprovada há mais de um ano - por algum motivo apavora especialmente os dirigentes do Sistema Coca-Cola. Para evitá-la eles já tentaram algumas ações, como a contratação de lobistas (Alexandre Paes dos Santos e Luis Costa Pinto), manipulação de datas e do regimento e, agora, a utilização de uma pretensa Associação, que não resistiria a uma investigação séria e profunda de seus reais atos e interesses: a ABCF, Associação Brasileira de Combate à Falsificação.

A tal ABCF é dirigida por uma família, pai e filho, os Rammazini. Essa dupla aparece sempre para disfarçar interesses de grandes multinacionais em ações paralelas e que já são objeto de vários inquéritos e processos contra eles. O juiz João Carlos da Rocha Mattos, preso na Operação Anaconda acusado de vender sentenças judiciais, descreve longamente em seu depoimento como age a ABCF, financiando festas, “recursos” e apoios para executar seu trabalho. Há fortes indícios, ainda, da ligação da ABCF com a Kroll, a empresa americana que acaba de ter suas atividades ilegais de espionagem a descoberto na Operação Chacal e que também espionava a Dolly e seu proprietário. A ABCF já apareceu até em invasões irregulares a empresas, inclusive também contra a Dolly, e como “porta-voz” da Coca-Cola em recente matéria de capa da Revista Exame, em maio, que historiava o confronto empresarial.

Jogada Infantil: idéia de atrapalhar, para não explicar novas revelações, como a sonegação na compra de açúcar. Com medo de novas revelações que estão surgindo, como por exemplo, a revelação de como processam grave sonegação fiscal na compra de açúcar, a jogada armada pelo Sistema Coca-Cola com o auxílio de vários deputados financiados, chega a ser infantil.

A ABCF ressuscitou um estelionatário, Pedro Quintino de Paula, denunciado há mais de dois anos pela Dolly (e há um ano, novamente, apresentado em detalhes na Corregedoria da Receita Federal). Inventaram uma história e uma “denúncia”junto à Polícia Federal, envolvendo inclusive, e provavelmente enganando, de má-fé, o delegado Wagner Castilho, com uma série de documentos – eles falam em 30 quilos, usando inclusive alguns papéis roubados da Dolly pelo tal estelionatário. Cavaram uma pretensa matéria jornalística, que já tinha ido ao ar, sem efeitos, há mais de um mês. Na semana passada, forçaram a reprise desta matéria, para que os deputados José Carlos Araújo (PFL/BA) e Jonival Lucas Júnior (PTB/BA) a utilizassem para solicitar mais convocações e “atrapalhar” a Audiência Pública, chamando também a tal ABCF e seu estelionatário de plantão. Assim, pensam, colocariam a Dolly “na parede”, e os principais executivos da Coca-Cola, chamados, simplesmente não comparecerão.

“Eu não tenho o que temer. Eles têm!” – garante Codonho.“Eles vem tentando nos desqualificar e ficam desesperados porque sabem que estamos falando a verdade e que tudo que vimos denunciando, de forma bem documentada, está sendo comprovado. É inacreditável que a Coca-Cola ainda ache que estamos brincando e agora aparece por detrás dessa ABCF O que eu tenho a ver com falsificação? Eu lá falsifico refrigerantes?”, pergunta indignado Laerte Codonho, da Dolly.-- “Só que agora eles estão tentando fazer de bobas autoridades sérias, que já vêm investigando profundamente os assuntos por nós levantados. Agora, também a Polícia Federal de Brasília já tem inquérito aberto, contra a Recofarma, a Spal e a Coca-Cola do Brasil; na semana passada já prestamos novos depoimentos. Esses assuntos que eles querem usar são comprovadamente falsos. Agora queremos ver é eles se explicarem junto à Secretaria de Direito Econômico.

Estamos aguardando também para este mês as providências do Ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, a quem já foi encaminhada a petição para a análise da “Mercadoria número 5”, ou Extrato Vegetal, sob forte suspeita de conter folhas de coca. Queremos ver eles explicarem a contratação da Kroll. Queremos ver eles explicarem a “sociedade” com o contrabandista Law Kim Chong e a Spal, a 15 de maio de 2000, como consta noRelatório final da CPI da Pirataria. Queremos ver como eles vão se livrar dos inúmeros processos e queixas-crime, de danos morais e patrimoniais contra nossa empresa. Queremos ver, enfim, como vão buscar se livrar do processo contra a matriz da Coca-Cola, nos EUA. E como vão conseguir abafar uma história que vem sendo acompanhada de perto pela imprensa internacional e pela Bolsa de Valores de Nova Iorque”Laerte Codonho conclui: “Eu não tenho o que temer. Eles têm. E deviam parar de fazer mais trapalhadas, de se unir a bandidos e, agora, de usar o nome do Brasil em vão, como estão fazendo,tendo a audácia de usar o nome de nosso país e nossas cores em sua marca, apenas para se sentirem mais brasileiros e distribuírem vultuosas verbas de propaganda, tentando abafar o assunto. Parece piada. E de muito mau gosto”.

Marli Gonçalves – Jornalista – MTb 12.037ASSESSORIA DE IMPRENSA DA DOLLY REFRIGERANTESTel. (11) 9186-0085 - marligo@uol.com.br

Fonte: www.dolly.com.br