quinta-feira, novembro 18, 2004

O Futebol Da Marca Resgistrada

Renasce a polêmica sobre a FIFA e o patrocínio das marcas.

A FIFA tem um orçamento de U$ 4 milhões originados da publicidade, das concessões televisivas de campeonatos , das grandes corporações e também dos convênios. Com dinheiro deste orçamento, seu presidente, Joseph Blatter, pagou federações nacionais para assegurar sua reeleição, segundo denunciou o secretário geral da Federação Internacional, Michel Zen Rufner; e também foi acusado por onze membros do Comitê Executivo, de beneficiar um árbitro nigeriano, célebre no Chile, Lucien Bouhardeau, com 25 mil dólares, por sua atuação na França, em 1998.

Costuma-se dizer que "a FIFA é um feudo, território da máfia, administrado por capos empossados que especulam com as riquezas da instituição do futebol, congestionados de poder."
É da vontade da FIFA que o espetáculo futebolístico se alastre pelo mundo, atravessando barreiras políticas, sobrepassando fronteiras, modificando legislações e soberanias.

Este afán globalizante do espetáculo chega aparelhado com suas corporações e seus interesses primordiais.

Para o Mundial de Futebol de 1998, a FIFA recebeu por concessão de licenças, U$ 100 milhões da ADIDAS, U$ 50 milhões da Coca-Cola, e outros U$ 50 milhões da Mastercard. Para o Japão e Coréia em 2002, a Coca-Cola cedeu U$ 120 milhões.

Para as empresas, isso significou uma vitrine privilegiada para um mercado de 2 bilhões de consumidores - a Copa do Mundo foi transmitida ao vivo para 2 bilhões e oitocentos milhões de expectadores, e 1 bilhão e quinhentos milhões assistiram a final entre a Alemanha e o Brasil.

Os nomes dessas marcas aparecem em conhecidas organizações de lobby. Com isso, sabe-se que a Nike é membro da USCIB e Am Cham, a qual também pertence a Reebok.
Entre outras coisas, estas sociedades de lobby trabalham para evitar que os países legislem prejudicando as liberdades das transnacionais, principalmente quanto à regulamentação trbalhista e do meio-ambiente. Impondo seus códigos de conduta internos por sobre as jurisprudências locais.

O patrocinador de 20 equipes chilenas se associou à FIFA em 1974, controlando 50% do mercado de refrigerantes no mundo: É a Coca-Cola.
Este gigante, emite somente gases e publicidade. Sua cadeia de produção: engarrafadora, distribuição e cobrança, é delegada a franquias e empresas contratadas, porque a grande transnacional não assume o ônus das empresas locais em relação ao controle de qualidade, causas ambientais e trabalhistas, etc; se mantendo distante das responsabilidaes judiciais e sanções legais

No Brasil, pátria do presidente honorário da FIFA, João Avelange, o Congresso Nacional teve que interferir no contrato entre a Nike e a seleção de futebol, para eliminar cláusulas que atentavam quanto a legelidade e os interesses do país.

Empresas maquiadoras são empresas testa-de-ferro, contratadas por outras empresas para levar a cabo operações arriscadas. Operações estas, que não cabe às primeiras executar. Por ser prática bastante comum entre as transnacionais contratar 'maquiadoras', a experiência no México, no Brasil, na China e na Índia demonstrou que o sistema adodado pelas transnacionais, de ter se esconder portrás de outras empresas, tornando sua imagem inatingível, oculta trabalho infantil, extensas jornadas de trabalho, enfermidades associadas à produção, segurança nula nas fábricas, discriminação racial e salário indignamente baixo. Tornando os custos de produção pra lá de reduzidos.

Leia na íntegra:
http://www.periodismo.uchile.cl/contintanegra/2004/Junio/deportes1.html