segunda-feira, novembro 08, 2004

E Agora, Coca-Cola?

Advogados da Kroll tergiversam e acabam não negando contratação, pela Coca-Cola

8/11/2004

Em uma carta absolutamente evasiva, os advogados da Kroll responderam à interpelação extrajudicial encaminhada à empresa pelos advogados da Dolly Refrigerantes. Na carta, tergiversam a acabam por não negar ou contestar as informações de que a Kroll teria sido contratada pela Coca-Cola para investigar, espionar ou monitorar a empresa nacional de refrigerantes Dolly e o proprietário da marca, Laerte Codonho. A partir da Operação Chacal, realizada pela Polícia Federal sobre a empresa americana de "investigações" Kroll, em vários Estados, e que culminou inclusive com a prisão de vários de seus funcionários e equipamentos, imediatamente vieram à tona informações bastante detalhadas sobre as ações por eles comandadas, e não só contra empresas de telecomunicações. Entre elas, entre outros detalhes, informações publicadas inclusive em jornais e revistas de prestígio, de que uma das maiores investigações em curso era exatamente essa, contra a indústria de bebidas Dolly que há um ano e meio trava uma verdadeira batalha empresarial com a Coca-Cola.

A carta, assinada pelos advogados Eduardo Cerqueira Leite e Jurandir Fernandes de Sousa, do escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados, após enumerar algumas das perguntas a eles dirigidas, traz como "resposta" apenas as seguintes frases: "Conforme tem sido amplamente divulgado por notas publicadas nos mais importantes meios de comunicação do país",escrevem, referindo-se aos comunicados e informes pagos publicados nos últimos dias nas primeiras páginas, "no desenvolvimento de suas atividades a Kroll sempre se conduziu nos estritos limites da legalidade, procedimento adotado em todos os países que atua" .

Os advogados concluem a carta com uma frase que dispensa comentários e que levará a Dolly a imediatamente estudar quais serão as providências judiciais cabíveis a partir de agora: "Acrescente-se a isso que, pela natureza das atividades desenvolvidas pela Kroll, ela se vê impedida de revelar a terceiros qualquer informação acerca das relações contratuais que mantém com os vários clientes que usam os seus serviços" (sic)

COCA NA BERLINDA - Nos tribunais e órgãos administrativos nacionais, a Dolly acusa a Coca-Cola - e vem conseguindo provar todas as suas acusações em todas as instâncias - de concorrência desleal, abuso do poder econômico e práticas criminosas. A multinacional já foi chamada e está novamente sendo chamada para dar explicações sobre o caso ao Congresso Nacional: no próximo dia 17 de novembro, o atual presidente da Coca-Cola no Brasil, Brian Smith, o ex-presidente, o argentino Jorge Giganti, e o executivo que teria posto em prática um plano de "destruição" contra a Dolly, Luis Eduardo Capistrano do Amaral, estão convocados a comparecer em Audiência Pública na Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. O presidente da Dolly também já foi convocado e deverá estar presente.

Na pauta da Audiência Pública, além de novos temas, como "Espionagem" e possível "uso de folhas de coca" em produtos da multinacional Coca-Cola, constarão: concorrência desleal, abuso do poder econômico, práticas criminosas e sonegação fiscal.

Fonte: http://www.adnews.com.br/News.asp?Cod_Noticia=10046