sexta-feira, outubro 01, 2004

O Exterminador Americano

A eleição de Arnold Schwarzenegger para governador da Califórnia serve como exemplo importante para o melhor entendimento do que é o poder americano. Em seu filme mais recente "O Exterminador 3", Schwarzenegger faz um robô indestrutível programado para proteger um jovem cuja missão é salvar o mundo. Na cena ambientada, o sistema operacional do Exterminador é corrompido, e ao invés de livrar da morte o futuro salvador do mundo, ele quase que o mata. No momento que este programa entra em choque com o comando contraditório, a palavra abort começa a piscar bem grande, em vermelho, na sua cabeça. O que acaba por impedi-lo de fazer qualquer ação.

"E3" pode ser uma perfeita metáfora dos déficits que restringem o potencial americano. Embora seu corpo físico seja de um homem com metade de sua idade, Schwarzenegger está somente a 4 anos de seu sexagésimo aniversário. Sua determinação de se manter eternamente como Mister Universo, tipifica a determinação de uma geração inteira de nunca crescer, embora isso seja inevitável e com conseqüências econômicas importantes. Ao contemplar as finanças do estado da Califórnia, o verdadeiro Arnold Schwarzenegger se confronta com um exemplo em miniatura do mega-déficit do poder econômico dos Estados Unidos.

O Exterminador é também o melhor exemplo do herói atual americano; pela simples razão que só existe UM do tipo dele. Nisso, ele personifica a escassez crônica de força produtiva. Mas, acima de tudo, o Exterminador exemplifica o déficit de atenção americano.

O paradoxo da globalização reside no fato de que quanto mais integrado o mundo, mais difuso o poder. Os antigos monopólios que tradicionalmente costumavam abrigar o poder – sedes da abundância, da liderança e do conhecimento – se fragmentaram em larga escala. E, infelizmente, graças à modernização dos meios de destruição. O poder para disseminar violência também se tornou mais equanimente distribuído, de forma que um "veneno-anão" como a Coréia do Norte consegue resistir ao gigante norte-americano.

Poder não consiste somente na capacidade de comprar o desejado. Isso se chama riqueza. Poder significa conseguir o que de deseja, e abaixo do preço de mercado. Significa conseguir que pessoas executem serviços ou produzam bens que não estariam disponíveis a qualquer preço. No entanto, o poder tende a diminuir se ele for compartilhado. Um país que possua uma bomba atômica é mais poderoso se o resto do mundo não tiver nenhuma; é mais poderoso que um país com mil bombas atômicas, se cada um dos outros países tiverem uma. O que denota mais uma semelhança com o Exterminador.

Os Estados Unidos têm capacidade para disseminar ampla destruição sem sofrer maiores danos em sua execução – não existe regime que resistiria ao seu ataque, caso desejasse exterminá-lo – incluindo a Coréia do Norte. Contudo, o Exterminador Americano só não está preparado para reconstruir outros que não sejam ele mesmo. Por isso, não será surpresa para ninguém, se o Exterminador americano se utilizar do álibi das pressões internas e externas, para se retirar do Iraque e do Afeganistão, antes da esperada reconstrução econômica destes dois paises. O poder americano vai então se pronunciar disperso, e vai admitir: "I won't be back!" (Eu não voltarei!)

Fonte: http://www.msnbc.msn.com/id/3606145/site/newsweek/