quarta-feira, setembro 29, 2004

Um Império Em Negação

Falhas de Caráter: Os Estados Unidos têm promovido muitos danos pelo mundo, alegando as mais diferentes justificativas. Mas, depois, não conseguem administrar a bagunça que vão deixando para trás. Eles estão programados para se auto-reconstruir, mas isso não é válido em relação aos outros países. Eis aí a sua grande falha.

Um império somente no nome – O primeiro caso na história de um império em negação. Isso pode explicar porque um país que detêm quase um terço da produção mundial, surpreende a si e a todos, com tanta dificuldade em obter o pretendido. O último império anglófono administrou quase um quarto das terras do planeta e de sua população, a despeito do fato de que os britânicos eram responsáveis por somente menos de um décimo da produção mundial. No entanto, os Estados Unidos têm passado os dois últimos anos lutando desesperadamente para controlar dois únicos países estrangeiros: o Afeganistão e o Iraque. Se chamamos isso de império, com certeza ele é estranhamente frágil.

A anemia imperial americana tem uma explicação muito séria; não basta culpar a má administração e a inépcia diplomática da era Bush. Para entender o que tem dado errado nos últimos anos, é necessário repensar o conceito de poder; que constantemente é confundido com outros substantivos: abundância e armamentos, influência e fama. É perfeitamente possível ter tudo isso, e contudo, ter poder absolutamente limitado. Seja este o predicado americano.

Os Estados Unidos têm uma economia fabulosa: em dólares atuais, o Produto Interno Bruto é 30 vezes maior do que o da Rússia, 20 vezes maior do que o da Índia, 8 vezes maior do que o da China, mais de 2 vezes e meia o do Japão, e 22 por cento maior do que o da União Européia. Seu poderio militar é imbatível : gasta muito mais com suas forças armadas do que doze dos países da UE combinados, e produz melhor artilharia do que se consegue conceber. Tanto que falar em "dominação de espectro total" não é exagero.

Por outro lado, observando os dados dos últimos meses: Estabelecer a lei e a ordem no Iraque provou estar além da capacidade das Forças Armadas americanas, mesmo com a assistência britânica. A queda de Saddam Husseim trouxe esperanças que os Estados Unidos poderiam "desatar o nó" do Oriente Médio, mas quando o outono chegou, Yasir Arafat já havia readquirido o controle sobre a administração Palestina e Ariel Sharon estava construindo uma réplica do Muro de Berlim em volta dos palestinos. Enquanto isso, um repulsivo "ditador de alumínio" na Coréia do Norte, estava desafiando a hiper-potência americana com impunidade, reiniciando abertamente seu programa de armas nucleares e ameaçando "abrir a usina nuclear ao público como demonstração de força".

Os Estados Unidos chegaram mesmo a evitar o envio de tropas a um país sem expressão na África, pelo qual não tem tampouco responsabilidade histórica, a Libéria. Em agosto, 3 navios, transportando 4.500 marinheiros e fuzileiros, foram enviados à Libéria, depois de repetidas solicitações por intervenção americana. Ao todo, 225 americanos estavam no mar, dos quais 50 contraíram malária. Após dois meses, os americanos se retiraram. O que serve de referência e exemplo dos limites do poder americano.

Fonte: http://www.msnbc.msn.com/id/3606145/site/newsweek/