quinta-feira, setembro 23, 2004

A Prova De Ser Empresa Cidadã

Em um determinado momento do filme Filadélfia, Denzel Washington pedia a Tom Hanks que lhe explicasse algo que não conseguia compreender direito, como se o tivesse explicando a uma criança de quatro anos. Se a Coca-Cola utilizasse essa mesma didática para explicar a questão do extrato vegetal, talvez todos nós pudéssemos enfim, compreender o assunto em todos os seus aspectos. Senão vejamos:
Entre todas as denúncias e acusações que vêm atingindo a empresa, esta talvez seja a mais polêmica. A de que um dos componentes de sua fórmula, conteria alcalóides originados na folha de coca, a mesma que origina (através de um outro alcalóide) a cocaína.
A resposta da Coca-Cola, no entanto, visa confundir o consumidor, tangenciar a resposta travestindo-a de uma peça de marketing, e postergar indefinidammente a resposta ao que objetivamente lhe é perguntado.
A COCA-COLA NÃO CONTÉM COCAINA, dizem seus anúncios defensivos nos jornais, acompanhados logicamente dos já enfadonhos discursos de empresa ética, cidadã e blá..blá..blá...Mas quem disse o contrário? Todos sabemos que a Coca-Cola não contém cocaína. Não somos idiotas e ninguém, que eu me lembre, fez essa acusação.
O que a Coca cola contém sim, é alcalóides extraídos da folha de coca, processados pelo Stephan Chemical nos USA e exportados para o mundo todo na forma de Extrato Vegetal, ou Mercadoria n.5, como definida internamente, um dos sete componentes do produto final.
A questão é que segundo os mais renomados toxicologistas do país, entre eles, Otavio Brasil, TODO O ALCALOIDE EXTRAÍDO DA FOLHA DE COCA É ENTORPECENTE E PODE CAUSAR DEPENDÊNCIA, além do fato de ser proibida sua utilização no Brasil por lei em vigor desde 1938!!!
Para evitar a análise desse componente, o que seria obrigatório por lei, a Coca-Cola utiliza ha décadas as mais variadas estratégias, entre elas, segundo Placídio Mendes, trocar amostras previamente preparadas em suas fábricas, por aquelas que deveriam ser colhidas no cais do porto, quando da chegada da mercadoria. “Influenciar” funcionários públicos , utilizar tráfico de influência e disponibilizar o produto final para análise ( já com os alcalóides camuflados pelo ácido forfórico) também são estratégias largamente utilizadas.
Não tenho conhecimento cientifico para julgar se causa dependência ou se faz mal a saúde, mas tenho conhecimento suficiente para afirmar que É ILEGAL, IMORAL E INESCRUPULOSA a utilização de tal componente, sem o conhecimento dos consumidores.
Como afirmou o Dep. Renato Cozzollino no programa de Tv em que foi entrevistado. A Coca-Cola tem nas mãos uma oportunidade única de legitimar seu extrato vegetal. É só liberar a análise!!! Se não o fizer, corre o risco de um escândalo de proporções gigantescas.
Portanto, esta é uma grande chance do Marco Simões demonstrar seu alto conhecimento da formulação do produto e de sua história, como o fez na Câmara dos Deputados, e responder a pergunta que só tem duas opções de resposta. A COCA-COLA UTILIZA ALGUM ALCALÓIDE DA FOLHA DE COCA EM ALGUM DOS COMPONENTES DE SEU PRODUTO? SIM OU NÃO? Mas por favor, que Marcos Simões utilize na resposta toda a delicadeza que lhe é peculiar, não invente uma terceira opção de resposta e nos respeite, ainda que nos veja como meninos e meninas de quatro anos de idade....
Dando assim uma prova que existe cidadania em ação na Coca-Cola