terça-feira, setembro 14, 2004

INDIGESTA E REPUGNANTE COMBINAÇÃO

Cena 1: Tubarão, Santa Catarina, dezembro de 1993.
Dona Roseli Paes, uma simples dona de casa, resolve pequenos afazeres na cidade e sente-se esfomeada. Dirige-se então à lanchonete 2001 e inocentemente pede um dos lanches prediletos dos brasileiros: coxinha de galinha. Mas, infelizmente, D. Roseli não teve sorte ao pedir a bebida para acompanhar seu lanche. Como fazia calor, solicitou a famosa Coca-Cola “bem gelada”. Serviu-se do primeiro copo, matou a sede e foi encher seu copo novamente. Não conseguiu, algo obstruía a passagem do líquido.
Lamentavelmente, Dona Roseli viu seu simples desejo de fazer um pequeno lanche, transformar-se num pesadelo que duraria (até agora) 11 longos anos. Uma nojenta barata, entalada no gargalo, atravessara seu caminho.
Amparada por duas pessoas que assistiam a tudo, Dona Roseli, imprensada entre a revolta e a indignação, jurava tomar providências.

Cena 2: Ainda em Tubarão. Fevereiro de 1994.
Dona Roseli, através de seu advogado, ajuíza uma ação por danos, contra a Vonpar Refrigerantes, empresa responsável pela distribuição de Coca-Cola na região, de propriedade do hoje presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Coca-Cola, Sr. Ricardo Vontobel. Com aquela agilidade peculiar bem conhecida de nós, habitantes deste país, a justiça brasileira julga a ação procedente em 29 de abril de 1998. QUATRO ANOS DEPOIS!!!
Mas não ficou por aí, mais 6 longos anos se passaram durante os quais a Coca-Cola conseguiu com todos os artifícios jurídicos possíveis postergar a decisão que, infelizmente para eles foi confirmada por UNANIMIDADE ha poucas semanas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, relatada pelo desembargador Monteiro Rocha. O processo leva o n. 1998009680-4.
Na sentença o desembargador condena a Vonpar a pagar R$ 10.000,00 e conclui que a quantia é irrisória considerando o porte da empresa, não impedindo que a mesma volte a cometer o mesmo erro, e tampouco repara os danos físicos morais e psíquicos sofridos pela Dona Roseli.

Conclusão: apesar da decisão, ainda resta à Vonpar embargos e outros artifícios jurídicos que podem fazer Dona Roseli completar mais um aniversário de falecimento da barata sem ter recebido ainda a indenização que hoje, com correção e juros já está em R$ 29.731,63.
Aliás, fica a dúvida se a barata teria morrido afogada ou de overdose do extrato vegetal....
Ironias a parte, este é um fato típico da morosidade de nossa justiça e do desrespeito que uma empresa que se julga acima da lei e com total impunidade, tem para com seus consumidores mais humildes....Simplesmente nojento!