quarta-feira, setembro 08, 2004

Dolly X Coca-Cola

Um dos episódios muito instrutivos sobre as vísceras do mercado, tão admirado e louvado por muitos, é a batalha entre uma pequena empresa nacional de refrigerantes e a multinacional Coca-Cola. A disputa é só um dos inúmeros casos de como as empresas privadas de um modo geral resolvem suas diferenças. O que chama a atenção entretanto é a disposição do dono da Dolly, Laerte Codonho, de levar o caso até as últimas conseqüências e mais, tentar torná-lo o mais conhecido o quanto possível. O refrigerante Dolly é comercializado em São Paulo e Rio de Janeiro e foi lançado no mercado a 17 anos como o primeiro refigerante dietético do país. De 87 pra cá, uma longa disputa pelos subterrâneo empresarial vem se desenvolvendo tendo a gigante Coca-Cola no papel da grande vilã da história ( e nem podia ser diferente ). O Pasquim tratou do tema com uma entrevista com Codonho, em sua edição de número 97 correspondente à 5ª semana de 2004. A entrevista recebeu o título de Laerte Codonho: "Não gosto de briga, mas os caras me provocam". Na entrevista, o empresário conta que antes de tentar lançar a Dolly, tentou vender a fórmula e que havia ido à Coca-Cola conversar sobre isso com eles e tiraram sarro da minha cara. Se tenho cara de bebê com 43 anos, imagine com 26! O cara falou: 'Você é um garoto esforçado, mas temos 180 deputados, 40 senadores, alguns governadores, agora vem você querendo sair com o diet na nossa frente...'. O empresário relata ainda que da simples postura de ignorar o possível concorrente com a declaração de compra de 'autoridades', a Coca passou à sabotagem de todos os tipos. O assunto também foi matéria de capa da revista Caros Amigos edição 86 de maio de 2004. O artigo Uma guerra sem refresco, assinado por Marina Amaral, comenta que inexplicavelmente quase sem ruído, já que há denúncias gravadas - o que em certos casos faz a alegria da mídia grande -, essa guerra protagonizada pela marca mais famosa do mundo encerra em seus bastidores sabores insuspeitados. Depois de anos sendo vítima de espionagem e sabotagens, a Dolly passou ao contra-ataque divulgando vídeos de uma conversa informal com o diretor da Coca-Cola regional que é uma verdadeira confissão de culpa. O video foi divulgado em horário pago na Rede TV por poucos dias, sendo logo em seguida retirado do ar. A Dolly entretanto os disponibizou no seu site. Neles, o presidente da Coca-Cola fala inclusive de 'eliminação física' de concorrentes no México. Recentemente o site da Dolly passou a divulgar 12 videos com o programa 100% Brasil da RedeTV! veiculado no dia 11 de julho tratando do embate entre a Coca Cola e a Dolly. Neles estão imagens de audiência na câmara dos deputados do último dia 3 de junho que são de fato reveladoras. Quando questionado sobre se a composição do refrigerante Coca Cola usa derivados da folha de coca, o presidente da multinacional mostrou-se claramente desconcertado, não respondeu e a sessão foi abruptamente encerrada. O congresso nacional vem 'discutindo' o caso desde o ano passado já tendo simplesente arquivado diversos requerimentos sobre o assunto. A TV Câmara veiculou programa sobre a peleja Dolly versus Coca que está disponível na internet. Aproveitando-se do debate aberto sobre a composição do refrigerante da concorrente, a Dolly passou a uma nova investida. Dessa vez divulgando outdoors estampando 'Coca-Cola contém Folha de Coca? É ilegal? A Coca-Cola está acima da lei?'. Os outdoors já foram retirados por ordem judicial, mas é possível ler sobre o assunto em matéria no site Finance One.

Giambatista Brito
03/08/2004