sábado, setembro 25, 2004

Coca Encerra Processo De Discriminação

Gigante dos refrigerantes despende 156 milhões de dólares contra alegações de preconceito racial. Soterrada em causas similares na Justiça, Coca-Cola paga indenizações rodeada por críticas de outras multinacionais.

Quanto em dinheiro merece uma pessoa por ser discriminada pelo seu empregador por causa de sua etnia? Qual a quantia justa para cobrir as injustiças, incluindo a de receber menor salário que os funcionários por ela supervisionados? Será que uma quantia em dólares refaz a dignidade de uma pessoa?

Que tal 156 milhões de dólares?

Esta foi a quantia que a Coca-Cola Company concordou em pagar para encerrar processo de preconceito racial contra a empresa, impetrado por quatro funcionários negros que alegam discriminação e preconceito racial dentro das instalações da companhia. O processo, de abril de 1999, acusa a Coca de manter uma estrutura corporativa onde funcionários negros são nivelados abaixo dos brancos em seus quadros administrativos, pagando a cada um deles 26.000 dólares por ano. Menos que a um funcionário branco.

A quantia do acordo será dividida entre aproximadamente 2.000 funcionários da cia., fornecendo uma média de 40.000 dólares para cada um, assim como 300.000 dólares para cada um dos 4 reclamantes que constam do processo. A quantia do acordo não tem precedentes na história de casos de preconceito racial, e está sendo chamada de "um passo na direção certa", por Jesse Jackson, segundo o New York Times.

Somando-se à quantia em dinheiro, o acordo cria demanda por painel de mediadores indicados pela companhia, e de advogados para os reclamantes, para que os registros de funcionários e também as políticas internas de pessoal da empresa sejam revisados.

Um porta-voz da companhia admitiu a necessidade de suporte externo para reestruturar as políticas da companhia. Entrevistas do NYT com representantes da cia., indicaram uma "negligência benigna" de alguns funcionários, a medida que a empresa focava tempo e dinheiro como uma forma de aumentar o valor de suas ações.

Várias empresas multinacionais enviaram comentários negativos a respeito das indenizações, mas a companhia nomeou este acordo como "necessidade dos negócios", levando em consideração que as minorias nos Estados Unidos consomem uma quantidade desproporcional de produtos Coca-Cola.

Comportamento bastante comum em multinacionais mundo afora, o preconceito racial varia conforme a cultura do país. No Brasil, por exemplo, alguns ex-funcionários do RH da Coca alegam que ele atua como um crivo já no recrutamento dos funcionários. Impedindo 'problemas' futuros.

Fonte: http://racerelations.about.com/library/weekly/aa112000a.htm