quinta-feira, agosto 12, 2004

SEMANA DECISIVA

Esta semana será decisiva na batalha Dolly X Coca-Cola.

Esta quinta feira, 12 de agosto, é uma data muito especial para a Dolly. Completa um ano do início de uma das maiores e mais complexas batalhas empresariais já vistas no mercado: as acusações da fabricante nacional e regional de refrigerantes Dolly contra a gigante multinacional Coca-Cola, que estão sendo investigadas e correndo em todas as instâncias administrativas e judiciais do país, de concorrência desleal, abuso do poder econômico e práticas criminosas por parte da Coca-Cola.
Existem derivados de coca na Coca-Cola? A resposta só abrange duas opções: SIM ou NÃO. E a Coca-Cola ainda não respondeu; o que traz desconfiança sobre o que está sendo ocultado da opinião pública. A Dolly quer ter o direito de questionar publicamente a multinacional com relação ao Extrato Vegetal que faz parte da composição do produto Coca-Cola; uma vez que, se a suspeita se confirmar, ficará configurado, além do crime, cocorrência desleal com um produto que pode viciar o consumidor.
Coincidentemente, nesta mesma quinta, a partir das 9 horas da manhã, será a vez da Dolly se defender da Coca-Cola no Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, CONAR. O caso envolve o outdoor assinado pela Dolly com os seguintes dizeres: COCA-COLA CONTÉM FOLHAS DE COCA? É ILEGAL? A COCA-COLA ESTÁ ACIMA DA LEI?
A Dolly respeitou a determinação do Conar, que solicitou a suspensão da campanha, e que será julgada agora nesta reunião do Conselho. Antes, os advogados já apresentaram a defesa escrita. Mas, no CONAR, o próprio presidente da Dolly, Laerte Codonho, defenderá junto aos conselheiros seu direito de questionar publicamente a Coca-Cola, como havia feito em outdoors com relação à composição do Extrato Vegetal, uma vez que as autoridades competentes ainda não o fizeram, e vêm escamoteando o assunto. Vai lembrar ainda que o outdoor não fere qualquer um dos regulamentos da respeitada instituição: não está comparando, não está acusando, apenas está questionando. Inclusive, fato que não é novidade, pois isso já foi feito sem que o CONAR interviesse, há alguns anos, em filmes publicitários do Guaraná Antártica.Possivelmente todos devem lembrar: O filme da Antártica mostrava uma plantação de guaraná e perguntava se a concorrente Coca-Cola poderia mostrar a sua plantação .
O caso já está no Congresso Nacional, devidamente aprovado, mas paralisado devido ao enorme lobby da multinacional. Há anos são feitas denúncias - inclusive com essas suspeitas já confirmadas em declarações de executivos brasileiros e americanos da multinacional - de que a formulação do produto utilize folhas de coca, que seria a Mercadoria nº 5, como é tratada para efeitos de importação.
As leis brasileiras são bastante claras com relação ao assunto: é terminantemente proibida a utilização de substâncias entorpecentes em qualquer grau, citando nominalmente as folhas de coca e preparações (Decreto Lei nº 891, de 25 de novembro de 1938, Capítulo I, item XIII e XIV).
Contudo, estranhamente, em 62 anos de existência da Coca-Cola no Brasil , os seus componentes nunca foram analisados, nem o seu teor explicitado, como manda ainda o Código de Defesa do Consumidor. Nem o Ministério da Saúde, nem o Ministério da Agricultura, nem a Cacex possuem informações a esse respeito. Embora seja usado como álibi pela companhia, não se trata de querer ver revelado o segredo do produto, tão bem guardado quanto o Terceiro Segredo que Fátima revelou aos pastores. Trata-se, sim, de conhecer o componente do produto importado para a produção do xarope, e que vem da indústria americana Stephan Chemical, reconhecidamente a maior compradora e manipuladora de folhas de coca do Peru e possivelmente de toda a América Latina.
Para não restarem dúvidas, é importante que todos compreendam que, com a adição, na formulação final, de ácido fosfórico, usado para a produção do refrigerante Coca-Cola, esse derivado de folha de coca seria imperceptível à análise, se feita no produto final, como a multinacional insiste. A solicitação atual é que seja analisado oficialmente, pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, o produto in natura, em tonéis, da forma como chega ao país.

O CONAR fica na Avenida Paulista, 2073, 18º andar, Edifício Horsa II - Conjunto Nacional

Fonte: Maxpress http://www.maxpressnet.com.br/NS/noticia.asp?TIPO=PA&SQINF=148447