segunda-feira, agosto 16, 2004

A Pretensão Absolutista

Coca-Cola é ameaça à segurança militar nos EUA
Ao poupar nas pesquisas de mercado e em consultas aos órgãos de segurança e de regulamentação governamentais antes de lançar o produto, empresa provoca restição no consumo. O que muitos observadores estão chamando de 'o trágico humor da incompetência'.
Há uma nova ameaça de segurança em algumas bases militares dos Estados Unidos - e ela se parece assustadoramente com... uma lata de Coca-Cola. Latas do refrigerante especialmente desenhadas, que fazem parte de uma promoção de verão da companhia, contêm telefones celulares e GPS. O fato tem preocupado oficiais em algumas instalações porque as latinhas poderiam ser usadas para espionagem. Assim, medidas de proteção estão sendo tomadas.
A Coca-Cola diz que tais preocupações não passam de bobagens. Um porta-voz da companhia, Mart Martin, afirmou que ninguém iria confundir uma das latinhas da promoção Unexpected Summer com uma Coca-Cola normal. "A lata é dramaticamente diferente", disse. As da promoção têm um painel na parte de fora e um enorme botão vermelho. "Ou seja, é muito claro que a lata é, na verdade, um equipamento de telefonia celular", completou.
Os ganhadores das latas ativam o dispositivo pressionando o botão. A latinha pode fazer contato apenas com o centro de promoções da Coca-Cola, assim como os dados do GPS que também só podem ser recebidos pela companhia. "Ela não pode ser usada como equipamento para espionar", garantiu Martin. Os prêmios da promoção incluem, entre outros, dinheiro e uma central de entretenimento doméstico.
Apesar disso, bases militares como o Centro de Armamentos do Exército em Fort Knox, no Kentucky, estão pedindo aos soldados que examinem bem suas latinhas de Coca-Cola antes de trazê-las às reuniões sigilosas. "Estamos pedindo às pessoas que abram as latas e não as tragam se dentro houver um GPS", informou o sargento Jerry Meredith, porta-voz do centro em Fort Knox. "Não é como se estivéssemos examinando as latinhas no ponto de venda. É só uma questão de bom senso", completou ele.
A Força Aérea e a Marinha parecem ter ficado preocupadas também. Sue Murphy, uma porta-voz da base da Força Aérea em Dayton, Ohio, disse que aparelhos eletrônicos pessoais não são permitidos em alguns edifícios e salas de conferência. "Na possibilidade remota de que uma lata dessas fosse encontrada em uma dessas áreas, nos asseguraríamos de que ela estivesse desativada, tentaríamos devolvê-la ao seu dono e pediríamos a ele que a utilizasse apenas em sua casa", explicou. Todos os funcionários da Marinha foram alertados a respeito das latas para mantê-las bem longe.
Paul Saffo, diretor de pesquisas no Instituto para o Futuro, comparou esta preocupação militar a quando a CIA baniu o Furbie, um boneco de brinquedo que podia repetir frases. "Há coisas que devem manter um general preocupado e acordado até tarde da noite pensando a respeito", disse Saffo. "Uma lata de Coca-Cola falante não pode ser uma delas."
Mas para o analista Bruce Don, da Rand Corporation, a preocupação dos militares é racional e apropriada. "Há muita razão em se preocupar a respeito de como essa tecnologia poderia ser aproveitada por terceiros sem o conhecimento da Coca-Cola", explicou ele. "Eu não me preocuparia se alguma dessas latas estivesse em meu refrigerador, mas se você tivesse uma reunião ou fosse a algum local sensível, não é inconcebível que ela pudesse ser usada para finalidades diferentes", completou.
Martin disse ainda que a maior fabricante de refrigerantes do mundo havia recebido telefonemas da Base Aérea de Hill Air em Ogden, Utah, e de uma base militar em Anchorage, no Alaska, pedindo mais informações sobre a promoção. Os telefonemas não expressavam nenhuma preocupação maior e a Coca-Cola não foi contatada pelas bases em Ohio e Kentucky, acrescentou. Respondendo se a Coca-Cola iria suspender a promoção por conta dessas questões de segurança, afirmou: "Não. Não há razão para isso".

Fonte: www.netmarkt.com.br