quinta-feira, agosto 05, 2004

INFLUÊNCIA E PODER.....

Nos anos eleitorais, a Coca-Cola distribui algumas centenas de cheques como “contribuição de campanha” a candidatos, Deputados e Senadores por todo o país. Isso obviamente resulta em uma certa benevolência desses políticos quando têm que tratar ou legislar sobre assuntos que envolvam aquela empresa. Como grande parte desses candidatos são eleitos, forma-se uma verdadeira “tropa de choque” no Congresso e no Senado para obstruir as investigações em curso. É claro que estamos falando daqueles políticos, cujo conceito de ética é relativo.....
Na Audiência Pública da Comissão do Congresso que investiga práticas da Coca-Cola, isso ficou muito evidente. Um verdadeiro exército de “abnegados” Deputados, tentava desesperadamente salvar o Sr. Brian Smith da “saia justa” em que estava metido. Presente no local, fiquei abismado com a maneira como isso era feito. Com cenas tão surrealistas que mais pareciam briga de pátio de escola pública. E estávamos no Congresso Nacional, a casa do povo brasileiro!
Todos os que acompanharam as gravações apresentadas posteriormente na TV, viram como terminou. Ao ser colocado na parede por uma pergunta sobre o uso da folha de coca na composição do produto (mercadoria n.5), o Sr Brian foi agraciado pela suspensão da audiência num gesto desesperado, de um Deputado do PT de Minas Gerais, que naquele momento presidia a Sessão. O nome desse cidadão é João Magno, e com certeza sua carreira política vai ficar marcada por essa atitude de desconsideração que fere o povo brasileiro. A História vai cobrar isso dele. Mais cedo ou mais tarde.
Mas não se resume aí a influência da Coca-Cola nos altos escalões do governo. Além da manutenção de lobistas em Brasília, com direito a casa no Lago para festas e recepções, a empresa ainda é sócia de algumas figuras proeminentes da República.
O maior exemplo é o Senador Tasso Jereissatti. Postulante a candidato do PSDB à Presidência da Republica nas ultimas eleições, Tasso, se tivesse conseguido ser eleito, repetiria no Brasil o que “eles” conseguiram no México, onde Vicente Fox, ex -presidente da empresa, é o atual Presidente da Republica. Tasso detém 40% da NORSA, proprietária de várias engarrafadoras de Coca-Cola no nordeste do Brasil. Outros 11% pertencem a Carlos Aragão, que tem grande influência política no Piauí e em Brasília. Vocês sabem de quem são os outros 49%? Bingo!!! Da The Coca-Cola Company...
Esses são os “engarrafadores brasileiros de Coca-Cola” tão decantados pela empresa em seus discursos pseudo-éticos.
E não pára por aí. Poderíamos falar de muitos outros políticos “engarrafadores” como Albano Franco, Osório Adriano e outros Deputados.
É difícil imaginar a isenção e vontade política dessa gente para julgar as práticas de seus sócios. É preciso muito espírito público para isso.Mas o povo vai cobrar, e para isso conta com políticos sérios, muitos dos quais já estão agindo com competência para que a Coca-Cola faça o mínimo que se exige de uma empresa verdadeiramente “cidadã”. Que cumpra a lei desse país!!!