sexta-feira, agosto 06, 2004

A Colômbia, As Organizações Paramilitares e A Coca-Cola

Em meio a “guerra contra o terrorismo”, as companhias norte-americanas na Colômbia estão literalmente se envolvendo com assassinatos. A maior e mais brutal organização paramilitar da Colômbia, a United Self-Deffence Forces of Colombia (AUC), foi considerada como “uma organização terrorista” pelo Secretário de Estado Collin Powell. Isto quer dizer que, qualquer um que forneça apoio financeiro ou material para a AUC está violando a lei 18 U.S.C. & 23398 dos Estados Unidos. Mas nem este fato impede a engarrafadora Pan American Beverages (Panamco) ou a Alabama Dumont Company Inc., que opera uma grande mina de carvão na Colômbia, de fornecerem apoio à AUC, que com esse tipo de suporte, mata e tortura líderes de sindicatos que buscam representar trabalhadores nas instalações das empresas colombianas. Estes dois casos são meramente representativos. Muitas multinacionais que operam na Colômbia têm o mesmo tipo de relacionamento com a AUC. É de conhecimento geral, que , depois do tráfico de drogas, o maior apoio financeiro à AUC vem das multinacionais americanas.

The International Labor Rights Fund (ILRF) e a United States Steel Workers of America union (USWA) entraram com processos através do Alien Tort Claims Act (ATCA) contra a Coca-Cola e a Dumont buscando interromper a cumplicidade corporativa com a AUC. Em ambos os casos, os tribunais têm sabido das ligações entre o Estado da Colômbia e os grupos paramilitares. Como também é de conhecimento público, que os paramilitares caíram nas graças do governo. http://www.laborrights.org/

Ainda está para se saber se a Administração Bush enxerga todos os terroristas de forma igual; especialmente se estes estejam prestando serviços para as cias. Americanas. Seria um erro trágico para o Ministério Público, se o Presidente deixasse de enfatizar a lei anti-terrorismo, quando as vítimas são colombianas e os terroristas constam da folha de pagamento das companhias norte-americanas. Isto confirmaria o que o mundo suspeita: que a Administração Bush importa-se somente com as vítimas americanas de ataques terroristas, e faz vista grossa para o apoio corporativo à campanha de terror dirigida contra os líderes de sindicatos na Colômbia, que independente de qualquer política, viola a lei 18 U.S.C. & 23398.

A Coca-Cola não pode esconder seus crimes na Colômbia
Isidro Segundo Gil, um funcionário da engarrafadora da Coca-Cola na Colômbia, foi morto em seu local de trabalho por agentes paramilitares. Seus filhos, no momento morando em local sigiloso com parentes, entendem muito bem porque a terra natal deles é chamada de “o país onde o trabalho de um sindicalista significa carregar um túmulo nas costas”.
Momentos depois de aparecerem no portão da fábrica de Carepa, os paramilitares atiraram 10 vezes em Gil, membro executivo do sindicato, ferindo-o mortalmente. Uma hora depois, um outro líder sindical foi seqüestrado em sua residência. Naquela noite, o prédio que abrigava as sedes dos sindicatos com as máquinas e os documentos foram incendiados.
No dia seguinte, um grupo pesadamente armado, retornou à fábrica, reuniu os funcionários e os avisou que eles também morreriam, caso não desistissem do sindicato até as quatro horas da tarde. Formulários de desistência foram preparados com antecedência pelo gerente da fábrica da Coca-Cola, que tem história de ligações sociais com paramilitares e já havia previamente ordenado a destruição do sindicato, conforme consta do processo.


Fonte: http://www.oakvillelabourcouncil.com/id33.html