quarta-feira, julho 28, 2004

22 de julho: Dia Internacional de Ação Contra a Coca-Cola

O dia 22 de julho foi instituído como uma Data Internacional sendo cheia de manifestações programadas para várias partes do mundo. Ongs e organizações de trabalhadores do mundo inteiro promoveram o Dia Internacional de Ação contra a Coca-Cola e Boicote aos seus produtos, determinado pelo Fórum Social Mundial. O protesto, anual, é feito em solidariedade ao Sinaltrainal, organização colombiana dos trabalhadores nas indústrias de comidas e bebidas, que há muito denunciam que a multinacional estaria envolvida - além de apoiar organizações paramilitares - em inúmeros casos de seqüestro, assassinato e tortura ocorridos nas regiões das fábricas da empresa, as engarrafadoras, especialmente em Barranquila e Carepa, incluindo os “plantadores de coca” do país.
O fato é praticamente desconhecido aqui no Brasil. Assim como não chegou aqui a informação que não foi nem um pouco tranqüila a passagem da tocha olímpica (patrocinada pela Coca-Cola Company) por vários países, inclusive na Itália, onde houve várias manifestações. A imprensa econômica local também se calou quanto à extensa reportagem de Capa da influente publicação americana, a Revista Fortune, agora em junho passado, assinada por Betsy Morris e uma enorme equipe de repórteres. No título e subtítulo, a chamada já dá uma idéia do conteúdo: “Coca-Cola – A História Real - Como a direção da Coca-Cola caiu de “primeiro nível" para "ridículo" em apenas 6 anos”. A reportagem lembra da questão da Colômbia, dos problemas na África (discriminação racial), dos processos na SEC (Security Exchange Comission), de Nova Iorque, e conta, ainda, detalhes da verdadeira maratona de trapalhadas em que acabou se transformando a sucessão de Douglas Daft, ex-presidente mundial, hoje, finalmente, substituído por Neville Isdell. O cargo mais cobiçado do mundo, segundo a imprensa internacional, pela primeira vez na história da companhia, demorou a ser preenchido, e muitos dos convidados recusaram a “honra”.
Outros assuntos são discutidos internacionalmente: a questão da água retirada ilegalmente do Rio Tâmisa, a morte de trabalhadores com Aids na África, os problemas na Índia, e, inclusive, a pergunta que o Brasil está esperando que a Coca-Cola responda: os produtos contêm derivados de folhas de coca? Nos meios econômicos internacionais, incluindo sites especializados em ações (blue chips), está noticiada a verdadeira cruzada que a pequena companhia brasileira de refrigerantes Dolly, move contra a gigante, a quem acusa de concorrência desleal, abuso do poder econômico e práticas criminosas. Com isso, o Brasil entra na lista de tormentos da Coca. Como se vê, esse é um assunto que ainda vai longe.
A luta agora, é para que os processos da empresa contra a multinacional não sejam paralisados e as investigações prossigam, em todas as esferas administrativas, judiciais e políticas onde deu entrada. Entre elas, o CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, SDE, Secretaria de Direito Econômico, Corregedoria da Receita Federal, Corregedoria do Ministério Público, Procuradoria Geral da República e nas Comissões de Fiscalização Financeira e Controle e Defesa do Consumidor, da Câmara Federal. Nestas duas Comissões há requerimentos aprovados esperando prosseguimento e agora no segundo semestre deve haver a continuidade das Audiências Públicas: serão chamados novamente os presidentes da Coca-Cola no Brasil, Brian Smith, e da Dolly, Laerte Codonho, além de outros 26 convocados. Espera-se ainda o “destravamento” da solicitação para a análise - pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal - do Extrato Vegetal que compõe os produtos Coca-Cola, para verificação se há ou não derivados de folhas de coca na formulação, conforme requerimento apresentado e aprovado por unanimidade, em maio, formulado pelo deputado federal Renato Cozzolino (PSC/RJ), e que tem mobilizado pesadamente o lobby da multinacional .

Aqueles que desejarem participar de campanha contra os abusos Coca-Cola e boicote a seus produtos, podem se afiliar aqui: campanha com sede na Itália, campanha com sede na Espanha, campanha com sede na Grã-Bretanha, campanha com sede nos Estados Unidos, campanha com sede no México, campanha com sede na Colômbia, campanha com sede em Israel

Fonte: CMI Brasil