quinta-feira, julho 29, 2004

OS VERDADEIROS EMPRESÁRIOS BRASILEIROS

Na Audiência Pública da Câmara Federal, na Comissão que investiga a Coca-Cola, o Sr. Brian Smith, presidente daquela empresa, num discurso ensaiado, afirmou que a empresa dele utiliza “empresários brasileiros” para engarrafar e distribuir seus produtos. Isso até pode ter sido verdade no passado, mas não corresponde à realidade atual, senão vejamos:
A FEMSA, engarrafadora da Coca-Cola em São Paulo, detém 25% do mercado brasileiro, e é de capital mexicano, com parte de seu capital pertencente à própria Coca-Cola. A ANDINA, engarrafadora do Rio de Janeiro, é de capital chileno, e detém mais uma parte significativa do mercado nacional. O engarrafamento do estado de Minas Gerais é controlado pela própria CCIL, subsidiária brasileira da The Coca-Cola Company. O mesmo acontece com a NORSA , responsável pelas engarrafadoras da região nordeste. Ora, se computarmos isso, restam apenas cerca de 40% do volume distribuído, nas mãos de empresas genuinamente nacionais. Isso, se não nos aprofundarmos nas suas composições acionárias. Portanto, o discurso do Sr. Brian é apenas retórica para encobrir a verdadeira realidade, tentando obter a simpatia dos parlamentares mascarando os fatos reais. Mas nem todos são bobos....
Os verdadeiros EMPRESÁRIOS BRASILEIROS, são aqueles quase 700, que contra tudo e contra todos, tentam levar adiante suas empresas, seus produtos e seus sonhos. São os pequenos fabricantes de refrigerantes regionais espalhados por todo o nosso país.
Massacrados por uma carga tributária injusta, sem incentivos ou subsídios governamentais, eles vão resistindo em sua maioria. Lutando contra as pressões exercidas por grandes conglomerados como o do Sr. Brian, colocando seus produtos em sinais de trânsito das grandes cidades ou nas biroscas de beira de estrada, sonhando em um dia freqüentar as gôndolas dos grandes Supermercados com a dignidade que merecem. Eles sim, são heróis.
E como age a empresa do Sr. Brian em relação a isso? Eu lhes digo, sem piedade. Pressionam revendedores, fornecedores. Denunciam uma “suposta sonegação” para justificar os preços baixos das pequenas empresas, como uma maneira de justificar seus altos preços. Não admitem que estes são apenas conseqüência de suas estruturas gigantes, anacrônicas e do pagamento de royaltes.
Ainda assim, mesmo com os subsídios recebidos inescrupulosamente do governo para suas instalações em Manaus, repassados por diversas vias aos seus engarrafadores, a empresa do Sr. Brian perde espaço. Os pequenos empresários heróis, avançam e hoje já detém em conjunto 34% do mercado brasileiro de refrigerantes. Muitos deles, é verdade, ficaram pelo caminho. Tiveram suas marcas compradas ( e exterminadas em seguida ) ou simplesmente faliram por não conseguir combater tanto poderio econômico. Mas ainda assim, fizeram parte dessa história.
O acesso às novas tecnologias de produção, o advento das embalagens plásticas descartáveis e a melhoria da qualidade dos seus produtos, juntamente com sua garra e determinação, fizeram destes empresários um tormento para a Coca-Cola. Qualquer um, despido de preconceito, haverá de reconhecer qualidade igual, ou superior em muitos destes produtos. Falo obviamente dos refrigerantes de sabores, guaraná principalmente. É claro, que não seria justo para os pequenos, uma comparação com o produto Coca-Cola, pois com a mercadoria n.5, a disputa se torna um pouco desigual....
O que existe, são verbas publicitárias milionárias, inimagináveis para a realidade do pequeno empresário, a nos impregnar o cérebro diariamente por todos os lados.
Tirando isso, sou mais as “Tubaínas”....


quarta-feira, julho 28, 2004

22 de julho: Dia Internacional de Ação Contra a Coca-Cola

O dia 22 de julho foi instituído como uma Data Internacional sendo cheia de manifestações programadas para várias partes do mundo. Ongs e organizações de trabalhadores do mundo inteiro promoveram o Dia Internacional de Ação contra a Coca-Cola e Boicote aos seus produtos, determinado pelo Fórum Social Mundial. O protesto, anual, é feito em solidariedade ao Sinaltrainal, organização colombiana dos trabalhadores nas indústrias de comidas e bebidas, que há muito denunciam que a multinacional estaria envolvida - além de apoiar organizações paramilitares - em inúmeros casos de seqüestro, assassinato e tortura ocorridos nas regiões das fábricas da empresa, as engarrafadoras, especialmente em Barranquila e Carepa, incluindo os “plantadores de coca” do país.
O fato é praticamente desconhecido aqui no Brasil. Assim como não chegou aqui a informação que não foi nem um pouco tranqüila a passagem da tocha olímpica (patrocinada pela Coca-Cola Company) por vários países, inclusive na Itália, onde houve várias manifestações. A imprensa econômica local também se calou quanto à extensa reportagem de Capa da influente publicação americana, a Revista Fortune, agora em junho passado, assinada por Betsy Morris e uma enorme equipe de repórteres. No título e subtítulo, a chamada já dá uma idéia do conteúdo: “Coca-Cola – A História Real - Como a direção da Coca-Cola caiu de “primeiro nível" para "ridículo" em apenas 6 anos”. A reportagem lembra da questão da Colômbia, dos problemas na África (discriminação racial), dos processos na SEC (Security Exchange Comission), de Nova Iorque, e conta, ainda, detalhes da verdadeira maratona de trapalhadas em que acabou se transformando a sucessão de Douglas Daft, ex-presidente mundial, hoje, finalmente, substituído por Neville Isdell. O cargo mais cobiçado do mundo, segundo a imprensa internacional, pela primeira vez na história da companhia, demorou a ser preenchido, e muitos dos convidados recusaram a “honra”.
Outros assuntos são discutidos internacionalmente: a questão da água retirada ilegalmente do Rio Tâmisa, a morte de trabalhadores com Aids na África, os problemas na Índia, e, inclusive, a pergunta que o Brasil está esperando que a Coca-Cola responda: os produtos contêm derivados de folhas de coca? Nos meios econômicos internacionais, incluindo sites especializados em ações (blue chips), está noticiada a verdadeira cruzada que a pequena companhia brasileira de refrigerantes Dolly, move contra a gigante, a quem acusa de concorrência desleal, abuso do poder econômico e práticas criminosas. Com isso, o Brasil entra na lista de tormentos da Coca. Como se vê, esse é um assunto que ainda vai longe.
A luta agora, é para que os processos da empresa contra a multinacional não sejam paralisados e as investigações prossigam, em todas as esferas administrativas, judiciais e políticas onde deu entrada. Entre elas, o CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, SDE, Secretaria de Direito Econômico, Corregedoria da Receita Federal, Corregedoria do Ministério Público, Procuradoria Geral da República e nas Comissões de Fiscalização Financeira e Controle e Defesa do Consumidor, da Câmara Federal. Nestas duas Comissões há requerimentos aprovados esperando prosseguimento e agora no segundo semestre deve haver a continuidade das Audiências Públicas: serão chamados novamente os presidentes da Coca-Cola no Brasil, Brian Smith, e da Dolly, Laerte Codonho, além de outros 26 convocados. Espera-se ainda o “destravamento” da solicitação para a análise - pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal - do Extrato Vegetal que compõe os produtos Coca-Cola, para verificação se há ou não derivados de folhas de coca na formulação, conforme requerimento apresentado e aprovado por unanimidade, em maio, formulado pelo deputado federal Renato Cozzolino (PSC/RJ), e que tem mobilizado pesadamente o lobby da multinacional .

Aqueles que desejarem participar de campanha contra os abusos Coca-Cola e boicote a seus produtos, podem se afiliar aqui: campanha com sede na Itália, campanha com sede na Espanha, campanha com sede na Grã-Bretanha, campanha com sede nos Estados Unidos, campanha com sede no México, campanha com sede na Colômbia, campanha com sede em Israel

Fonte: CMI Brasil















domingo, julho 25, 2004

À COCA-COLA SOMENTE

Os camponeses e a coca
Insistindo no fato de que a produção em larga escala da coca é ilegal, o governo boliviano termina impedindo e ameaçando o trabalho de milhares de camponeses que cultivam, ancestralmente, a folha da coca, para variados fins que não o do narcotráfico. Uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), datada de 1961, proibiu o cultivo e o uso da folha. Proibiu também o costume antigo dos bolivianos de mascar a folha por 25 anos. Autorizada apenas para ser usada para dar sabor, coube à Coca-Cola ficar liberada para utilizar a planta.
Atualmente, o cultivo passou a ser legalizado em uma área de 12.000 hectares – o que é insuficiente para tantos cocaleiros existentes na região, que acabam ocupando territórios considerados ilegais para o plantio. Por conta da forte pressão e com o apoio das forças militares, centenas de camponeses já foram assassinados.
Para as organizações camponesas da Bolívia, "o problema dos cocaleiros, ainda que o governo queira ocultar sob argumentos da luta política ou do narcotráfico, é um problema real dos setores camponeses e do país e, como tal, dever ser resolvido em um diálogo aberto, sob os critérios da dignidade e soberania nacional".

em 17/04/2004
Fonte:
www.adital.org


As barbas andinas
Em 17 de outubro de 2003, o New York Times publicou uma análise clara sobre a crise boliviana, onde o jornal mostrou que, ao contrário do que se prometia, a situação social na Bolívia só se agravou nos últimos anos.
"Os manifestantes indígenas - diz o jornal - podem ser pobres e falar mal e com sotaque o espanhol, mas eles têm uma mensagem poderosa. É esta: não à exportação do gás e outros recursos naturais; não ao livre comércio com os Estados Unidos, não à globalização de nenhuma forma, que não seja a solidariedade entre os povos oprimidos do mundo em desenvolvimento." O que os pobres bolivianos estão pedindo, com o sangue que está sendo derramado nas ruas de sua capital, é que os deixem viver a sua própria vida, exercer a sua própria cultura, retirar da terra o que pode sustentá-los. O consumo milenar do chá de coca nunca os tornou piores nem melhores seres humanos. O que tem sido sua desgraça é a utilização da coca para a produção da cocaína - processo criado pelos "civilizados". O mundo inteiro é consumidor do alcalóide derivado das folhas da Erythroxylon coca, usado para a produção de "coca cola", como a imprensa norte-americana divulgou, quando se anunciou o plano de erradicação da planta, com a exceção das glebas autorizadas a produzi-la para a Coca-Cola. A diferença entre uma garrafa de Coca-Cola, consumida pelos adolescentes, e uma pitada de cocaína é apenas a do tipo de refino da pasta de coca e, evidentemente, da quantidade usada. O uso da coca como droga, mediante o refino e a comercialização, se deve à civilização capitalista, não aos quíchuas e aimaras que sempre consumiram as suas folhas como tônico estimulante.

por Mauro Santayana em 17/10/2003
Fonte: Carta Maior




sábado, julho 24, 2004

"SE NÃO É ILEGAL, É IMORAL....."

Após ser entrevistado no programa 100% Brasil da Rede TV, recebi dezenas de e-mails, que continuam chegando com os mais diversos assuntos relacionados ao tema da entrevista, mas também com curiosidade sobre outros temas. Um deles é sobre a minha relação com a Dolly e com o Sr. Laerte Codonho, seu presidente.
Bem, não conheço o Sr. Laerte pessoalmente, apenas o vi uma vez na audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados que investiga a Coca-Cola. Na semana anterior, o Deputado Celso Russomano havia nos apresentado um ao outro, porém, por telefone, quando conversamos rapidamente e nada mais.
No entanto, tenho por ele uma grande admiração e respeito por dois motivos principais: Em primeiro lugar, pela sua determinação na luta por justiça contra esse grande Golias desleal do qual eu conheço bem as artimanhas. Compreendo o Sr. Laerte como um símbolo da luta que o pequeno empresariado brasileiro enfrenta contra as grandes companhias, o capital multinacional e os monopólios estabelecidos; empresas que usufruem de benefícios fiscais inimagináveis inescrupulosamente, sufocando assim brasileiros empreendedores através do abuso do poder econômico. Como disse o Sr. Laerte na audiência no Congresso: “se não é ilegal, é imoral! “.
Um outro motivo, foi por ele ter sido quase uma inspiração para que eu escrevesse o livro e retornasse à luta. Foi assistindo um programa de tv em janeiro deste ano onde ele era entrevistado e vendo sua indignação contra as falcatruas utilizadas contra a sua empresa, que eu decidi que era a hora de voltar. Antes, estava apático e impotente perante tanta impunidade, mas com a chama acesa em meu coração. Foi partir de então que recomecei a luta.

sexta-feira, julho 23, 2004

Imperdível

                No próximo domingo, dia 25, depois da meia-noite, vai ao ar mais uma edição de 100% Brasil, pela Rede TV. Este próximo programa vai dar continuidade às discussões sobre a questão da imoralidade nas atitudes da Coca-Cola pela conquista do mercado, com revelações inéditas de fatos de grande interesse para o consumidor em geral. Páro por aqui para não estragar a surpresa. Não deixem de assistir.


quinta-feira, julho 22, 2004

Convite

Movido pela grande  repercussão  do  4o programa 100% Brasil da Rede TV (link ao lado), que foi ao ar no domingo 18 último, quero fazer um convite não somente àqueles que estão acompanhando o caso Dolly X Coca-Cola, como também a todas as pessoas que se sentem indignadas com temas de extrema influência no nosso cotidiano, que por motivos vários não encontram lugar na grande mídia. Ofereço este espaço para que expressem opiniões,  façam relatos e  exponham fatos que por muitas vezes até chegam a ser ventilados pela imprensa alternativa, mas têm seu processo de divulgação e discussão interrompidos por pressão de fortes anunciantes ou mesmo pela imposição da mídia “mainstream”. Sintam-se à vontade. Este blog também é de vocês.